Rio - O interesse pelas ações da Companhia Vale do Rio Doce, colocadas à venda pela União, superou todas as expectativas. Ontem, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eleazar de Carvalho, revelou que a demanda pelos papéis da mineradora totalizou R$ 15,3 bilhões, o triplo da oferta, que vai gerar uma receita de R$ 4,4 bilhões aos cofres do governo.
O sucesso da operação deverá motivar nova oferta pública ainda este ano, como revelou Carvalho. Entre as apostas do mercado estariam a venda de ações do Banco do Brasil, Furnas ou Telemar. O presidente do BNDES lembrou que somente o interesse dos investidores brasileiros somou R$ 5,2 bilhões, o que poderia absorver, com folga, toda a operação de venda da participação de 31,5% que o governo ainda tinha na mineradora, privatizada em 1997.
‘‘Uma reação como esta motiva outras operações pulverizadas’’, disse. O preço de venda para a oferta da Vale foi fixado em R$ 57,28 por ação, valor 4,85% inferior à cotação dos papéis negociados no mercado americano. O pequeno investidor terá desconto de 5% no preço, mas não poderá mexer na aplicação por, pelo menos, seis meses.
O número de pequenos investidores brasileiros que participou do leilão superou em três vezes o registrado na oferta global de ações da Petrobras em agosto de 2000. Um balanço feito pelo BNDES mostra que 791 mil pessoas compraram ações da mineradora. A maior parte (728 mil) utilizou os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
A demanda com FGTS somou R$ 3,4 bilhões e superou o limite de R$ 1 bilhão fixado para este tipo de operação. Por isso, estes investidores receberão apenas 29% do que reservaram. A parcela com FGTS vai representar 5% do capital total da mineradora.

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