Ribeirão Preto A alta na demanda pelo álcool combustível obrigou o governo federal e a iniciativa privada a revisarem o estudo que definia as perspectivas de consumo do álcool, do GNV e da gasolina na matriz energética brasileira até o final desta década.
A demanda de consumo dos três combustíveis até 2010, bem como as vendas ou conversões de automóveis e comerciais leves, integraram o relatório final de um grupo de trabalho permanente criado para essa finalidade pelo Ministério da Agricultura dentro da Câmara Setorial do Açúcar do Álcool.
A disparada nas vendas dos veículos flex fuel, movidos a gasolina e/ou álcool, a alta demanda pelo álcool no mercado interno e as exportações recordes do etanol combustível foram os motivos apontados pelo presidente da Câmara Setorial, Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, para realizar uma segunda versão do documento.
No estudo, por exemplo, o grupo formado por técnicos do governo, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de produtores da cadeia sucroalcooleira e de representantes do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), previa que as vendas dos veículos flex fuel somassem 250 mil unidades em 2004, meta que foi ultrapassada nos nove primeiros meses deste ano.
O documento original, divulgado em meados deste ano, previa ainda que o consumo total de álcool no mercado interno chegasse 11,5 bilhão de litros em 2004 e que as exportações do combustível chegassem a 1 bilhão de litros. Hoje, projeções do próprio governo apontam para um consumo externo de 12,6 bilhões de litros e exportações de 2 bilhões de litros em 2004.
A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) divulgou ontem uma nota oficial na qual tenta explicar o aumento do preço do álcool combustível no País. A nota informa que a comercialização de álcool é livre no País desde a desregulamentação do setor, no final dos anos 90. Para a Unica, os preços, portanto, são consequência das relações comerciais num mercado com 350 produtores, uma centena de distribuidores e mais de 28 mil postos de combustíveis.
A entidade esclarece na nota ''que a produção de álcool, ao contrário dos demais combustíveis, é sazonal. Ela é realizada em seis meses para atender uma demanda ao longo de 12 meses''. (G.P.)

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