O governo federal busca ampliar rapidamente a oferta de eletricidade para evitar um déficit energético, que fica mais palpável à medida que acelera-se o crescimento econômico. Mas, para especialistas ouvidos pela Agência Estado, o País conseguiria ampliar a oferta se adotasse uma política mais agressiva no sentido oposto: a redução da demanda.
‘‘A Europa conseguiu evitar um colapso, nos choques do petróleo da década de 70, adotando medidas de conservação (uso eficiente) de energia’’, disse o físico José Goldemberg, ex-ministro da Educação. Segundo ele, enquanto o PIB europeu praticamente dobrou a partir de 1971, o consumo energético subiu apenas 40%. No Brasil, a expectativa é de que o consumo de eletricidade cresça 6% ao ano para dar suporte a uma expansão anual do PIB de 4%.
A troca de metade das lâmpadas utilizadas na iluminação pública por modelos quatro vezes mais eficientes, por exemplo, poderia resultar em uma poupança equivalente à energia consumida em todo o Centro-Oeste, diz o professor Maurício Tiomno Tolmasquim, da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, a troca reduziria em 13 terawatts-hora (TWh) o consumo da iluminação pública no País, de um total de 51 TWh.
‘‘Essa economia dispensaria a construção de uma hidrelétrica de 2,5 mil megawatts (MW) de potência, que custa cerca de US$ 3 bilhões’’, diz Tomasquim. A troca de lâmpadas convencionais por modelos eficientes é, porém, muito cara. Enquanto o modelo convencional tem um custo de R$ 0,60, gasta-se até R$ 19 em uma lâmpada eficiente.
Para Tolmasquim, porém, ainda seria vantajoso ao País introduzir subsídios para difundir essa tecnologia: o custo seria de R$ 600 por quilowatt (kW), a metade do que se gasta para produzir a mesma quantidade de energia. ‘‘A energia mais barata é a que não se produz.’’
Amilcar Guerreiro, do Departamento de Conservação de Energia da Eletrobrás, ressalta que o governo tem ampliado o rol de medidas com o objetivo de aumentar a conservação de energia no País. Segundo ele, tais medidas resultam atualmente em uma economia equivalente a 3,5% (9 mil a 10 mil gigawatts-hora) do consumo total de eletricidade. ‘‘A expectativa é de que atinjamos 5% em três anos’’, diz ele.
Um dos principais focos de atuação é justamente a iluminação pública. Segundo Guerreiro, o governo federal planeja investir até R$ 1 bilhão, nos próximos três anos, em um programa de estímulo à adoção de tecnologias mais eficientes para este segmento.

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