São Paulo - A demanda interna tem sido o motor da recuperação da indústria desde dezembro, mês em que a produção bateu no fundo do poço. Entre dezembro e maio, a demanda interna por produtos industriais cresceu 43,8%, enquanto a externa caiu 1,2%, apontam os dados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A demanda global, que inclui as demandas interna e externa, aumentou 37% no mesmo período. Para chegar a esses resultados, foram consultadas 1.075 indústrias, que, juntas, faturam R$ 540 bilhões por ano.''A demanda interna está sendo o motor da recuperação e deve continuar nos próximos meses'', diz o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Ferreira Braga, ponderando que o ritmo de retomada ainda é lento.
De acordo com a pesquisa, 6 dos 14 segmentos industriais que tiveram melhor desempenho entre dezembro e maio estão relacionados ao consumo doméstico. Nesse rol estão os minerais não-metálicos (insumos usados para a construção civil), metalurgia, material de transporte (que reúne a cadeia da indústria automobilística), vestuário e calçados e alimentos. Também são esses seis segmentos que apresentaram as melhores perspectivas de produção industrial para três meses entre maio e julho, aponta a sondagem.
''A projeção de aumento de produção para esses setores está sendo favorecida pelo corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a volta do crédito e as vendas de bens de consumo não-duráveis, como alimentos'', afirma Braga.
As indústrias de alimentos já detectaram uma reversão na queda da produção física a partir de março, com acréscimo de 14,2% na comparação com fevereiro, descontadas as influências sazonais. Em janeiro, a produção caiu 7% ante dezembro, voltando a cair 2% em fevereiro.
''A perspectiva é de que esse quadro tenha tido continuidade em abril e maio'', diz o diretor do Departamento de Economia da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Denis Ribeiro. A previsão é de encerrar o ano com crescimento de 2% a 3%.
O quadro se repete no caso do setor têxtil e de vestuário. ''A realidade do segundo trimestre já é diferente, com ampliação do uso da capacidade das fábricas'', conta o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Aguinaldo Diniz Filho. Ele já espera fechar o ano repetindo a produção de 2008.
''A recuperação na indústria está se espalhando e dados revelam que o movimento ficou mais consistente no segundo trimestre'', observa Luiz Rabi, gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian. Em abril, 63% dos segmentos industriais tiveram crescimento na produção. Em dezembro, no auge da crise, esse indicador havia chegado a 14%.

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