Demanda elevada aquece preço da mandioca
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
De maio de 2012 a maio deste ano, o preço da tonelada da mandioca para o produtor saltou de R$ 211,61 para R$ 282,35. Segundo Fábio Isaías Felipe, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), a elevação do preço do tubérculo em um curto espaço de tempo se deve ao aumento da demanda nacional, principalmente na região Nordeste, maior polo produtor que, desde o ano passado, enfrenta uma grave queda de produção devido à seca.
Por causa disso, desde o início de 2012, os produtos nas regiões pesquisadas pelo Cepea, que inclui os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, têm registrado um expressivo aumento de preço. "Neste ano, a oferta será ainda menor porque os produtores anteciparam a colheita em áreas que iriam ser colhidas agora por causa do alto valor do produto no ano passado", explica Felipe. O especialista acrescenta que, neste momento, o produtor brasileiro está capitalizado.
Methodio Groxko, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), explica que os preços aos produtores estão excelentes. "No Paraná, em março de 2012, o produtor recebia R$ 219 a tonelada. Em março deste ano, o valor saltou para R$ 365, uma alta de 67%", aponta o especialista. Groxko explica que em dezembro e janeiro, por exemplo, os nordestinos compraram muita farinha de mandioca das regiões Sul e Sudeste.
Isso foi bom para o produtor, mas ruim para o consumidor. No Paraná, por exemplo, a saca de 50 quilos de farinha de mandioca no varejo saltou de R$ 47 em março de 2012 para R$ 118 em março deste ano. "O consumidor está pagando bem mais caro pelo produto." Segundo Felipe, pesquisador do Cepea, o cenário de preços elevados deverá ficar assim até setembro. Ele completa que, no Nordeste, o quilo da farinha de mandioca já chegou a ser comercializado a R$ 10.
Produção
Neste ciclo, o Paraná deverá produzir 3,9 milhões de toneladas de mandioca, volume semelhante ao retirado das lavouras no ano passado. De acordo com dados do Cepea, o Estado é o maior produtor brasileiro, seguido de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Segundo Methodio Groxko, economista do Deral, aos poucos a mandioca tem perdido espaço no Paraná, principalmente com a expansão da cana-de-açúcar e da cultura da soja. Ao todo, o Estado possui uma área de 162 mil hectares voltados para a produção do tubérculo.
Além da concorrência com outras culturas, Groxko completa que a falta de mão de obra é outro gargalo que emperra o desenvolvimento da produção no Paraná, o que dá maior vantagem para as outras culturas que possuem um alto índice de mecanização, a exemplo do milho.



