Curitiba – A demanda das empresas por crédito aumentou 6,6% em setembro na comparação com agosto. De acordo com pesquisa realizada pela Serasa Experian, na comparação com setembro do ano passado, houve alta de 19,1% e, no acumulado do ano, a demanda subiu 4,3%.
O economista da Serasa, Luiz Rabi, explicou que a maior quantidade de dias úteis em setembro deste ano - já que o feriado do dia 7 ocorreu em um domingo -, a necessidade de formação de estoques para o Dia das Crianças e as medidas de estímulo ao crédito anunciadas pelo Banco Central no final de agosto ajudaram a elevar a demanda por crédito.
As medidas combinam injeção de dinheiro no sistema bancário, afrouxamento dos controles para a concessão de empréstimos e normas voltadas para o financiamento de imóveis e veículos.
Apesar do crescimento da procura por crédito em setembro, Rabi disse que isso não significa que "é o primeiro sinal de melhora". Segundo ele, os dados de outubro já devem vir negativos ou próximos de zero. "O cenário econômico não mudou", afirmou. Segundo ele, o aumento dos juros, da inflação e a diminuição da confiança dos empresários têm prejudicado o desenvolvimento econômico e a procura por crédito por parte das empresas.
O crescimento da demanda por crédito foi puxado pelas micro e pequenas empresas. Nessa categoria, a procura aumentou 7,1% em relação a agosto. Já nas médias empresas a busca por crédito ficou estagnada em setembro e, nas grandes, houve queda de 0,3%. Rabi explicou que as medidas do BC acabaram estimulando mais as micro e pequenas.
No acumulado de janeiro a setembro de 2014, as grandes empresas lideraram a alta da demanda empresarial por crédito com expansão de 7,3% frente ao mesmo período do ano passado. Nas micro e pequenas empresas o crescimento foi de 4,7% e, nas médias, houve recuo de 3,1%.
O maior crescimento da demanda por crédito ocorreu nas empresas do setor comercial com alta de 8% contra agosto, seguido pelos serviços (5,4%) e indústria (5,2%). Segundo Rabi, a demanda maior no comércio ocorreu para os lojistas formarem o estoque para o Dia das Crianças.
Ele acredita que a procura por crédito volte a subir em novembro, quando as empresas devem formar os estoques para o Natal. E, em dezembro, a previsão é que volte a cair. De janeiro a setembro, o crescimento da demanda por crédito foi mais intenso no setor de serviços (6,6%), seguido pela indústria (6,5%) e comércio (1,7%).
O coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, acredita que o segundo semestre do ano será melhor que o primeiro. "A economia tende a crescer e sair da recessão técnica com a entrada do 13º salário, o que é bom para a atividade econômica", disse. Segundo ele, o crescimento da demanda por crédito em setembro é uma recuperação importante. Ele prevê que a economia comece a melhorar um pouco a partir deste segundo semestre, no entanto, o Produto Interno Bruto (PIB) não deve crescer além de 0,5% em 2014 e a demanda por crédito também não terá um desempenho maior que 4% ou 5% no ano.
Rabi classificou o crescimento no ano de 4,3% na demanda por crédito como "moderado a fraco, que é um retrato fiel do ano". Ele prevê que 2014 feche o ano com crescimento na demanda por crédito, no máximo, em 4%. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Demanda das empresas por crédito cresce 6,6% em setembro
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