Demanda das empresas por crédito cai 5,2% em 2012
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A desaceleração da atividade econômica no ano passado reduziu o apetite das empresas por crédito pela primeira vez desde 2009. A demanda das companhias por crédito, ou seja, a busca por financiamentos caiu 5,2% no ano passado, após um avanço de 2,3% em 2011. Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada ontem pela Serasa Experian. Em 2009, quando o Brasil foi fortemente atingido pela crise financeira internacional, a demanda por crédito tinha caído 4,4%.
De acordo com o economista da Serasa, Luiz Rabi, em 2012, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi muito baixo. A estimativa é que o País tenha crescido menos de 1%. ''A demanda das empresas por crédito para capital de giro e compra de matéria-prima é diretamente ligada ao PIB'', explicou. Além do desempenho ruim no mercado interno, o cenário internacional não foi favorável especialmente na Europa e nos Estados Unidos. O mundo ainda sentiu o impacto da desaceleração da China.
Com isso, não foi propício para as empresas captarem recursos no mercado externo e emitirem ações em bolsa. As micros e pequenas empresas foram as que mais puxaram para baixo a demanda por crédito, com queda de 6,2%. Rabi explicou que quando o cenário externo é turbulento, as médias e grandes empresas não conseguem acessar fontes alternativas de financiamentos como emissões de ações em bolsa, mercado de capitais e emissões no exterior. Quando isso acontece, as grandes empresas recorrem à rede bancária para obter financiamentos e falta recursos para as pequenas companhias.
A redução da demanda por crédito foi mais acentuada na região Sudeste do País com queda de 6,1%, seguida da Centro-Oeste (-4,8%), do Sul (-4,6%), Nordeste (-4,1%) e Norte (-3,2%). Segundo Rabi, as regiões mais desenvolvidas tiveram queda maior por terem um número maior de micro e pequenas empresas.
O setor de serviços, menos suscetível às turbulências externas, apresentou o menor recuo em termos de demanda de suas empresas por crédito no ano de 2012 com redução de 3,5% em relação a 2011. O setor industrial, apesar de ter sido beneficiado com uma série de incentivos fiscais governamentais, apresentou queda de 5,3% na demanda por crédito no ano passado. O comércio, que recuou 6,7%, foi o que teve a maior retração na busca por crédito em 2012.
O consultor econômico da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Shimoyama, disse que o comércio reduziu a busca por crédito em função dos juros altos. Além disso, as vendas tiveram melhora, o que diminuiu a necessidade das empresas emprestarem dinheiro. ''A inadimplência do consumidor também começou a reduzir'', comentou. Isso ajuda o lojista a ter mais dinheiro em caixa e honrar os seus compromissos. Ele acredita que em 2013 deve aumentar a demanda por crédito porque as vendas não devem crescer tanto, o que deve elevar os custos fixos dos lojistas que, consequentemente, devem precisar de mais dinheiro.
Rabi acredita que 2013 será um ano melhor para a economia brasileira. Ele prevê que a demanda por crédito neste ano feche com percentual positivo. Com a possível melhora do cenário internacional, as grandes empresas devem voltar a ter fontes alternativas de crédito, liberando assim, os financiamentos para as micros e pequenas empresas.



