Ainda que a alta nas exportações não represente mais venda ao consumidor final, industriais paranaenses do ramo projetam mercado promissor nos próximos anos
Ainda que a alta nas exportações não represente mais venda ao consumidor final, industriais paranaenses do ramo projetam mercado promissor nos próximos anos | Foto: Divulgação/Cooperativa Integrada



Os baixos estoques de suco de laranja no exterior fizeram com que as exportações de sucos aumentassem 23% em volume e 26% em receita no primeiro semestre da safra 2017/18, na comparação com o ciclo anterior, segundo a CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos). Havia previsão de 70 mil toneladas (t) FCOJ (Suco de Laranja Concentrado e Congelado, na sigla em inglês) no mundo em meados do ano passado, mas fenômenos como a destruição de plantações na Flórida, nos Estados Unidos, deixaram o país com 400 milhões de litros de demanda represada, conforme a entidade.

No entanto, os embarques para composição de estoque não representam necessariamente uma venda ao consumidor final, dizem representantes do setor. Existe queda na demanda por sucos e frutas no mundo, diante da mudança de hábito em relação ao consumo no café da manhã e à maior concorrência com outras bebidas, o que diminui a pressão sobre preços. Mesmo assim, produtores e industriais paranaenses do ramo enxergam uma oportunidade de mercado para os próximos anos.

O volume vendido ao exterior do concentrado equivalente 66 graus brix foi de 475.276 para 584.590 toneladas, entre os primeiros semestres da safra passada e da atual. Já o valor das exportações aumentou de US$ 831,848 milhões a US$ 1,052 bilhão. O diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, afirma que a colheita fraca em anos anteriores deixou a formação de estoques em nível crítico. Para se ter uma ideia, o adequado é ter 300 mil t FCOJ no mundo, mais de quatro vezes o previsto para o ano passado. "A única exceção talvez sejam os Estados Unidos, onde houve uma alta de 41% nas exportações porque o furacão Irma fez um estrago nas plantações da Flórida", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Demanda concentrada e sem risco



União Europeia
Por outro lado, aponta que houve seguidas reduções no consumo na UE (União Europeia), que é o principal importador, o que mostra que a formação de estoques não implica necessariamente em venda. Ainda, Netto acredita que as cotações do produto nas bolsas de Nova Iorque não tiveram grandes variações, já que os fenômenos foram precificados diante das quebras de safra no Brasil em anos anteriores. O País é o principal exportador de suco no mundo. "O preço pago ao produtor está equilibrado há uns três anos, apesar de ter subido naquela quebra de safra, e deve continuar assim", afirma o diretor-executivo da CitrusBR.

Dessa maneira, a UE, que compra cerca de 70% do suco brasileiro, registrou alta de 23% no volume importado do Brasil e 29% em valor. Nos EUA, os aumentos foram de 41% e 22%, respectivamente.

Os outros dois principais compradores tiveram resultados distintos. O Japão registrou recuo de 4% no volume e alta de 12% no valor pago pelo produto. Na China, cujo mercado de consumo interno faz brilhar os olhos de exportadores do agronegócio em todo o mundo, houve avanços de 17% na quantidade e de 34% no preço. "Os chineses começaram a produzir suco para o mercado deles e houve alta de 200% na demanda em 14 anos, mas as exportações continuam as mesmas. Só que existem restrições climáticas para aumentar a produção e , hoje, a China é uma promessa", diz Netto.

No Estado
O Paraná é o terceiro maior produtor de laranja do País, ainda que fique muito atrás de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com a Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento), deve fechar a safra de laranja 2017/2018 com 1 milhão de t, ou 24 milhões de caixas, alta de 33% sobre as 750 mil toneladas de 2016/2017.

Essa evolução encontra a maior demanda da indústria local. A Integrada Cooperativa Agroindustrial, de Londrina, mantém uma fábrica de sucos em Uraí (Região Metropolitana de Londrina) e projeta bater o próprio recorde de processamento, com 2 milhões de caixas no ano. "O mercado sempre precisa olhar para o futuro e viemos de duas safras distintas, uma muito ruim e outra muito boa", diz o gerente de comercialização da Integrada, Osmir Buso.

Ele acredita que os preços devem se manter em um bom patamar para os produtores, cerca de R$ 20 por caixa. "A Flórida está com pouco poder de recuperação nesse momento e no Brasil temos uma expectativa de uma safra equilibrada, ainda que abaixo da passada."

Buso não mostra preocupação com eventual queda na demanda em algumas partes do mundo. "Cai em um lugar, mas tem outro que passou a consumir só agora, então não é um mercado de risco alto", afirma o gerente da Integrada. A cooperativa prevê a produção de 7 milhões de t de suco concentrado neste ano.

Os laranjais paranaenses geram R$ 315 milhões em VBP (Valor Bruto da Produção), ou 6% do total nacional. São mais de 600 citricultores no Estado em cem municípios, a maioria no Noroeste.

Otimista, citricultor amplia área de plantio

O agricultor Sussumo Itimura Neto, de Uraí, considera promissor o futuro da citricultura e tem aumentado o número de mudas na Fazenda Bela Vista. Com 33 mil árvores produtivas no laranjal, ele plantou mais 12 mil em 2016 e prevê mais 10,5 mil para este ano. "A perspectiva que enxergamos para os próximos sete anos é que não terá aumento de produção fora do Paraná e investimos porque acreditamos que a demanda deve continuar", diz.

Foram 68 mil caixas há dois anos e 110 mil no ano passado, volume que espera repetir em 2018. Depois de um 2016 ruim e de um 2017 com safra recorde na propriedade, Itimura Neto tem reduzido a área reservada a cereais e aumentado a de laranja, com novos modelos que diminuem o espaçamento e aumentam a quantidade de mudas por hectare. A diversificação na fazenda ainda inclui a criação de gado e de cordeiros.

Toda a produção é direcionada à Integrada Cooperativa Agroindustrial. São as boas cotações que animam o agricultor. "Há quatro anos a caixa saía por R$ 4, foi a R$ 8, depois a R$ 12, R$ 14 e agora está em R$ 20, o que é um bom preço", diz Itimura Neto.

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