O número de passageiros que usaram o Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, caiu 9,9% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2014, conforme a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). No País, a movimentação aumentou 5,9% no mesmo comparativo, segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), em cenário que aponta para o desafio diante da volatilidade do câmbio e da retração da demanda corporativa por viagens.
Houve retração de 86,2 mil passageiros em fevereiro de 2014 para 77,6 mil no mês passado, em Londrina. No acumulado do ano, a queda foi de 185,4 mil no ano anterior para 174,4 mil em 2015, redução de 5,9%, de acordo com a Infraero.



É preciso lembrar que, de 2013 para 2014, o movimento no aeroporto londrinense havia dado um salto de 18,1%, o que pode indicar uma acomodação das vendas de passagens neste ano. Com a Copa do Mundo, muitas empresas anteciparam convenções para os cinco primeiros meses do ano em 2014, com o objetivo de fugir da elevação de preço por causa da demanda nos meses do evento esportivo.
O superintendente da Infraero em Londrina, Marco Pio, afirma que janeiro e fevereiro sempre foram meses mais fracos no aeroporto, com recuperação a partir de março. Por característica do consumidor regional, ele acredita que boa parte do tráfego aéreo seja de passageiros corporativos. "Em média, mais da metade dos passageiros que temos são empresários. Sentimos isso porque são pessoas com menor quantidade de bagagem que mais viajam entre março e dezembro."
Pio não vê qualquer alteração em preços ou oferta de voos que possa ter causado a queda. "A maioria das viagens que saem daqui são para os três aeroportos de São Paulo e para Curitiba, que estão com bons preços", conta.
Para a consultora Débora Sorgi, da Navega Tur Agência de Viagens e Turismo, não houve alteração na demanda do londrinense por passagens nacionais. Ela lembra que as vendas de pacotes internacionais diminuiu devido à rápida valorização do dólar em relação ao real, mas nada que afetasse o mercado doméstico. "Todos os anos é assim e em março começa a estabilizar. Os preços continuam iguais e as empresas aéreas até estão fazendo boas promoções para não perder clientes", diz. Para aproveitar os bons preços, ela sugere que o consumidor reserve o voo com ao menos um mês de antecedência.

Alta nacional
Apesar da queda em Londrina, o mercado nacional continua a crescer. Segundo balanço da Abear, que representa as cinco maiores companhias aéreas do País, fevereiro de 2015 teve 7,5 milhões de passageiros ante 7,1 milhões no mesmo mês de 2014, ou 5,9% a mais. No acumulado do ano, foram 16,8 milhões em 2015 e 15,7 milhões em 2014, ou 6,6% a mais.
A oferta de transporte aéreo doméstico foi ampliada pelo sexto mês seguido, ao avançar 4,8% ante fevereiro de 2015. A demanda progrediu "somente" 4,1%, o que fez com que o aproveitamento das aeronaves caísse 0,5 ponto percentual, para ficar em 80,1%.
O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, diz que há um reforço no tráfego durante a alta temporada, que pode se estender até o Carnaval. "A partir de agora se inicia uma etapa de maior atenção para o setor, que nesse ano inclui novamente o desafio da volatilidade do câmbio, que impacta diretamente nossos custos. Aliado a isso, há o compasso de espera da economia, que altera o comportamento do segmento corporativo, que já teve forte retração durante os dois primeiros meses do ano", afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Demanda cai 6% no aeroporto de Londrina
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