Londrina não deve ter demanda de gás mínima que justifique a extensão de um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil até a região, segundo informações do presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagás), Luiz Roberto Bruel, que falou ontem à tarde, por telefone, à reportagem da Folha. Ele acredita que o estudo da Compagás, que começa a ser feito na próxima semana, apontará um consumo na região entre 150 mil metros cúbicos/dia e 250 mil metros cúbicos/dia. Bruel afirma que, se sua expectativa se confirmar, os londrinenses precisarão lutar pela implantação de uma termoelétrica na região, que aumentaria muito o consumo de gás e viabilizaria, então, a extensão do gasoduto até Londrina.
O assessor da Petrobrás, Luiz Carlos Costa Milan, reuniu-se ontem à tarde com um grupo de londrinenses. Ele afirmou à Folha que caso seja identificada na região uma demanda de gás natural que justifique investimentos empresariais para a extensão de um duto - e desde que seja um negócio rentável - a Petrobrás terá interesse na construção do ramal.
Ele é responsável pelos novos negócios na área de gás natural da estatal. O secretário do Sindicato Rural de Londrina, Edison Ponti (foto), participou da reunião e afirma que a Petrobrás demonstrou ter o máximo de interesse na extensão do ramal. ‘‘A Petrobrás se comprometeu a construir o ramal desde que haja demanda suficiente na região. ‘‘Se comprovarmos um consumo potencial de no mínimo 1 milhão de metros cúbicos/dia, já podemos contar com o ramal’’, afirma Ponti.A demanda mínima exigida para a construção do ramal vai de 1 milhão de metros cúbicos/dia a 2 milhões de metros cúbicos/dia, segundo Ponti. Junto com outros quatro representantes de entidades londrinenses, ele também participou de uma reunião anteontem com três superintendentes da Agência Nacional de Petróleo (ANP). ‘‘Obtivemos respaldo da agência, que considerou o projeto viável. Mas a condição é a mesma. A região precisa apresentar demanda que justifique o desvio’’.
Segundo a superintendente de relações institucionais da ANP, Maria Elisa Simões de Ouro Preto, que também falou à reportagem da Folha por telefone, a ANP vai autorizar o projeto desde que a empresa interessada em construir o duto siga os procedimentos técnicos da agência. ‘‘Uma das missões da ANP é incentivar e fortalecer a competitividade do mercado e a livre iniciativa. Sempre iremos apoiar estas iniciativas desde que estejam dentro das qualificações técnicas’’.
Um grupo de lideranças de Londrina vai agendar encontros com representantes da Compagás, Copel e governo do Paraná para discutir o assunto na próxima semana. O levantamento da Compagás deve ficar pronto até o final deste mês, segundo Luiz Roberto Bruel. O presidente da empresa, que é responsável pela distribuição de gás natural no Estado, acredita que a região tenha capacidade para reivindicar a implantação de uma das termoelétricas que a Copel pretende construir no Paraná. Essa solução resolveria o problema.
‘‘Uma termoelétrica de 450 megawatts consome cerca de 2 milhões de metros cúbicos de gás natural/dia. Seria um investimento com condições de ancorar o ramal do gasoduto’’, afirma Bruel. A Compagás vai levantar a demanda de gás em todo o Estado. No último estudo, feito há quatro anos, a demanda no eixo Londrina/Maringá era de 250 mil metros cúbicos/dia. ‘‘Hoje, este eixo deve consumir mais de 300 mil metros cúbicos/dia’’, calcula.

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