Demanda aquecida eleva preço do etanol
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
O etanol hidratado voltou a subir em Londrina na última semana. De acordo com a pesquisa semanal realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), entre os dias cinco e onze de junho, a média do preço do produto ficou em R$ 1,66, com mínimo de R$ 1,50 e máximo de R$ 1,79. Entretanto, uma pesquisa rápida realizada pela FOLHA aponta que em diversos postos da cidade o aumento chegou a R$ 0,10 na bomba em poucos dias. Os valores médios também aumentaram nos estados do Acre, Amapá, Ceará e no Distrito Federal.
Segundo o indicador semanal do etanol hidratado do Cepea/Esalq, o preço de produção do etanol também subiu, saltando de R$ 1,01 para R$ 1,08 (+7%) em uma semana 7%. José Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Bionergia do Estado do Paraná (Alcopar), explica que tal variação pode ser considerada normal. ''Depois do aperto, as usinas estão com certo fôlego no fluxo de caixa no meio deste mês, o que faz com que elas entrem no mercado mais agressivas'', salienta ele.
De fato, os valores ainda estão competitivos no Sudeste do Brasil, com o consumo do combustível em ascensão. O representante da Alcopar comenta que em abril o consumo mensal nessa região do País fechou em 513,7 milhões de litros. Um mês depois, em maio, o consumo no mesmo período saltou para 1,04 bilhão de litros. ''A tendência é que agora os números continuem aumentando e fiquem em torno de 1,5 a 1,6 bilhão de litros. Estamos nos recuperando bem, com os preços bem similares ao ano passado, o ideal para remunerar toda a cadeia'', avalia Dias.
Roberto Fregonese, presidente do Sindicombustíveis-PR, confirma o incremento no consumo e que o preço médio de compra para o dono de posto está girando em torno de R$ 1,58 a R$ 1,65. ''O Paraná tem o terceiro preço mais competitivo do País. O preço está bom em Londrina (R$ 1,69). Em Curitiba, diversos estabelecimentos já estão comercializando o produto a R$ 1,79'', pontua.
Fregonese prevê que a produção deve fechar 4,5% menor do que na safra passada, mas as vendas terão um crescimento de 18,5%. Alia-se a isso, o recorde na produção de carros bicombustíveis no País. ''Isso pode agravar o problema este ano. Se já estamos discutindo ações em plena produção, imaginem quando chegarmos em outubro? O governo tem que se preocupar com os estoques reguladores e buscar álcool no exterior. No final da safra, a situação pode ficar uma loucura'', enfatiza o presidente do Sindicombustíveis.
Adriano Dias, que participou do Ethanol Summit na semana passada em São Paulo, diz que o descompasso entre a produção nacional e consumo é evidente. ''Estamos com a demanda aquecida, dificuldade de produção e escassez de investimentos. Caso o governo não atue de forma efetiva, a participação do etanol na matriz energética do País vai diminuindo. O governo está sinalizando para investimentos, principalmente nos recursos da lavoura de cana'', completa.


