Delícias de chocolate garantem renda
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de setembro de 2003
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Desde que o homem descobriu o chocolate ficou impossível dissociá-lo da idéia de prazer. Por isso, ele é tão desejado e consumido no mundo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o maior produtor mundial de chocolate é os Estados Unidos com 1.451 toneladas em 2001 e o maior consumidor é a Suíça com 11,2 quilos per capita/ano.
Com o advento do Plano Real, o consumo no Brasil saltou de 199 mil toneladas em 1993 para 332 mil em 1998. De lá para cá, ele sofreu uma leve queda e se estabilizou em 313 mil toneladas em 2002, conforme pesquisa da Abicab. Enquanto isso, o gráfico da exportação do nosso chocolate é cada vez mais ascendente graças à sua qualidade.
Mesmo com pouco dinheiro brasileiro não faz festa sem chocolate. Em bolos e doces ele faz a alegria de crianças e adultos. Bom para quem come e melhor ainda para quem vende. Embora não haja estatísticas, é visível o crescimento do mercado informal que manufatura o chocolate. Qualquer pessoa com disposição e o mínimo de habilidade manual é capaz de aumentar a renda confeccionando bombons caseiros. Cursos que ensinam a fazer essas guloseimas são muito comuns e a procura é sempre grande.
No Brasil, é impressionante a quantidade de empresas domésticas que nascem a cada crise econômica. Grande parte delas é criada por mulheres como forma alternativa de renda e a cozinha tem sido um dos principais redutos. Um bom exemplo são as chocolateiras que aumentam em número na mesma proporção que o trabalho. Maria Constância da Silva Dias, por exemplo, acorda quase todos os dias de madrugada para atender as encomendas. No começo, seus bombons serviam apenas para deleite da família. Hoje, são eles que ajudam Constância a pagar as contas da casa e a faculdade do filho. ''Quem oferece um produto de qualidade não perde cliente'', afirma a dona de casa.
Assim como ela, Regina Maura Ferreira entrou no mundo dos doces para satisfazer as filhas que adoravam bombons de coco. Há cerca de dois anos, ela aprendeu a fazer trufas que hoje são comercializadas sob patente própria. No caso dessas microempresárias, a propaganda é feita boca-a-boca literalmente e, muitas vezes, ultrapassa os limites geográficos da cidade. Marta Alcover envia seus bombons de avião para São Paulo uma vez por mês para os ex-colegas de trabalho do irmão.
Heloise Mesquita diz que jogou muito chocolate fora até acertar sua receita ideal de trufa. ''É um processo demorado e caro que exige muita experiência'', comentou a quituteira que sonha em abrir um loja para vender sua produção. Contraditoriamente, todas elas garantem que o lucro não compensa o trabalho empenhado. Heloise, por exemplo, afirma que se pudesse voltar atrás investiria na área de confecções. ''Gosto muito do comércio, mas o chocolate é uma mercadoria supérflua que só rende na quantidade'', explicou.


