Delfim prega desvalorização do câmbio
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sexta-feira, 11 de abril de 1997
Cláudia Lopes 
Marcos BorgesImobilidadeDelfim Neto, ontem em Londrina: O setor produtivo está com as mãos amarradas pelo câmbio supervalorizado e com os pés amarrados pela taxa de jurosO ex-ministro Antonio Delfim Neto defendeu ontem, em Londrina, a desvalorização do câmbio como a melhor forma de estimular as exportações brasileiras. Delfim fez palestra na 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina sobre a Situação da economia brasileira e perspectivas futuras.
Ele garante que a desvalorização cambial não vai trazer a inflação de volta. Estamos numa economia estável, com risco mínimo de retorno da inflação. Aliás, o único risco do real é o desestímulo às exportações, fator fundamental para expansão da economia, disse. Com a globalização, é necessário transformar a exportação num setor rentável. É preciso mobilizar o empresário a produzir bens exportáveis.
Para que o crescimento econômico volte a atingir 6% ou 7% ao ano, Delfim diz que os empresários precisam ser estimulados a exportar. O desenvolvimento econômico depende da criação de um espírito exportador no empresário brasileiro. Mas o governo retirou os estímulos dos exportadores, passando-os para os importadores. Isso fez com que o déficit de conta corrente disparasse. Em 95, o déficit foi de US$ 17 bilhões e no ano passado foi de US$ 24 bilhões. Neste ano, estamos caminhando para um déficit de conta corrente de US$ 35 bilhões, prevê.
Delfim diz que medidas como a redução do custo Brasil e melhoramento dos portos são bemvindas. Só que agem sobre a exportação e importação. Precisamos de algo para corrigir as exportações mas que não mexa nas importações. A alternativa é a desvalorização cambial, argumenta.
Segundo Delfim, o déficit público só pode ser resolvido através de redução de despesas. Hoje, a carga tributária é tão alta que impede o aumento de receita. É por isso que sobra apenas o corte de despesas. E a única despesa passível de ser reduzida é a de juros. Isso se pode fazer reduzindo o estoque da dívida e a taxa de juros, disse. Para reduzir o estoque da dívida, Delfim diz que o governo deveria usar o dinheiro arrecadado nas privatizações na compra da dívida interna. Mas isso não vem acontecendo.
Hoje, o setor produtivo está com as mãos amarradas pelo câmbio supervalorizado e com os pés amarrados pela taxa de juros, diz Delfim. Dê aos empresários brasileiros coisas como câmbio correto e o crédito que qualquer produtor dispõe no resto do mundo. Eles iriam tornar-se super competitivos.
Delfim defende a flutuação do câmbio. Tem que deixar o câmbio livre para ver onde vai. Ele diz que um dos erros cometidos pelos produtores brasileiros é pedir medidas protecionistas ao governo. Não precisamos de proteção. Só precisamos ter as mesmas condições isonômicas dos nossos competidores.
O ex-ministro disse que, apesar da agricultura ter sido o setor mais prejudicado no Plano Real, vai dar uma resposta positiva neste ano em termos de exportação. Neste ano, a exportação de soja e café deve crescer o equivalente a US$ 2,5 bilhões em relação ao ano passado. Este aumento não tem nada a ver com política agrícola ou aumento da área plantada, mas com coisas adversas como a chuva, disse Delfim. Para ele, o movimento dos sem terra surgiu de equívocos na política agrícola nos últimos três anos, que acabaram colocando na rua cerca de 500 mil pessoas que trabalhavam na agricultura.
Ex-ministro da Agricultura, do Planejamento e da Fazenda, Delfim Neto garante que a verdadeira âncora do programa de estabilização foi a agricultura. Por causa da queda nos preços dos produtos agrícolas, o cidadão brasileiro, que gastava 40% da sua renda com alimentação, recebeu um bônus adicional. Graças a esta queda, o salário real cresceu 10%. A transferência de recursos da agricultura para o setor urbano foi enorme, refletindo-se na expansão registrada nos primeiros oito meses de Plano Real.


