Delfim Neto defende incentivo a exportações
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quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
A economia brasileira tem condições de crescer, em 2001, muito mais que os 4% atuais. A afirmação é do deputado federal e ex-ministro da Economia, Antonio Delfim Neto (PPB). Para ele, é possível um crescimento acima de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano. O governo precisa reduzir as taxas de juros reais e oferecer condições para que os empresários brasileiros concorram no mercado externo, afirma.
Delfim Neto participou de um debate ontem no Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), em Curitiba, do qual participaram cerca de 150 empresários do setor. Ele alertou que as taxas atuais de crescimento da economia não oferecem condições para o combate à pobreza.
Para o deputado, com juros reais de 8% e um superávit primário de 2% nas contas públicas o crescimento da economia já seria de 4% ao ano. Atualmente, a taxa de juro básico determinada pelo Banco Central está em 16,3%. Os juros reais estão acima de 25%. Os neocolonizados (como o deputado chama os responsáveis pela política econômica brasileira) dizem que o País não pode crescer rápido porque isso aumentaria a inflação, o que é um equívoco. O mérito do plano Real foi desmontar o sistema que mantinha a inflação, isso não acontecerá mais.
Segundo o deputado, a alavanca para o desenvolvimento da economia brasileira será o incentivo às exportações. Se houver uma política exportadora por parte do governo federal não há porque não crescer mais que 6% no próximo ano. As condições para exportação passam pela redução do juro real e da carga tributária.
Na sua opinião, as reformas tributária e fiscal só não acontecem porque o governo federal não quer. O presidente fica enrolando e enquanto fala da necessidade da reforma age no sentido contrário, diz. A carga tributária real no Brasil está em 32% do PIB. É uma das maiores do mundo.
Delfim Neto lembra que em 1995, no início do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a carga tributária brasileira era de 27% do PIB. Ele conseguiu esse aumento de receita com um mecanismo inconstitucional que é a criação de contribuições.


