Delfim insiste em mudança no câmbio
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terça-feira, 19 de novembro de 1996
Maria Teresa Martins 
O deputado federal Delfim Netto (PPB-SP) disse ontem, em Curitiba, que uma mudança na política cambial do País não mexeria com a inflação. Esta é uma falsa idéia. O governo construiu uma teoria quase religiosa de que em qualquer coisa em que se mexa, será produzida a inflação, afirmou. Segundo ele, a estabilidade brasileira terá vida longa não por causa do câmbio controlado, mas pela desmontagem dos mecanismos produtores de inflação. Em 1997, a inflação anual deve ficar entre 8% e 9%, prevê.
Delfim Netto é um dos principais defensores no Congresso Nacional do lobby em favor da desvalorização do real, como saída para o aumento das exportações. O deputado falou ontem, em Curitiba, sobre as Perspectivas para o Brasil em 1997, evento comemorativo dos 20 anos do jornal Indústria & Comércio, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
O deputado pepebista diz que a sobrevalorização da moeda brasileira foi exagerada. Isso destruiu com a agricultura e atingiu a indústria produzindo uma condição desleal de competição, garante. Delfim acredita que apesar das pressões de alguns setores em torno da mudança cambial, o governo não quer agir; ele só quer se defender.
Delfim demonstrou irritação em relação às declarações do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Gustavo Franco, que disse ser antiga a idéia de que é preciso ajustar o câmbio para aumentar a exportação. Gustavo Franco lembrou também que quando o Real foi lançado, Delfim Netto previra que o plano não duraria um mês. O governo gosta de enganar, disse, negando que tenha feito a previsão. Delfim respondeu a Franco que não tem nada de moderno na política cambial do governo. Isso é lesa pátria, critica.
Uma das mistificações do governo, segundo Delfim, é o cálculo do aumento do PIB. O governo sempre usou taxas médias de câmbio para medir o PIB, agora faz com a taxa sobrevalorizada, superestimando o crescimento econômico. Ele diz que a técnica é de enganar trouxa. Para o deputado, o Brasil deve crescer até 3% no próximo ano, contra uma previsão do governo de 6%.
O deputado defendeu ainda a privatização da Vale do Rio Doce. É a nossa maior coroa, tem que vender a melhor prata que tem. O ex-ministro, que pertence ao partido de Paulo Maluf, é contra o projeto de reeleição presidencial, mas disse apoiar as reformas.


