Delegado vê indícios de cartel dos postos
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quarta-feira, 25 de julho de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
O delegado operacional da 10º Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Ferreira Amaro, que investiga denúncias de formação de cartel no setor de combustíveis, afirmou ontem à Folha que há fortes indícios de que houve combinação de preços no setor. Amaro disse que vai tentar concluir o inquérito aberto anteontem o mais rápido possível. Pela lei, o prazo para conclusão é de 30 dias. Vamos tentar comprovar o acordo. Em Londrina, não está havendo livre concorrência.
Amanhã o delegado ouvirá os primeiros envolvidos na denúncia de coação por parte de donos de postos de Londrina contra o proprietário do Posto Tiradentes, que há uma semana tentou reduzir os preços para R$ 0,99 (álcool) e R$ 1,70 (gasolina). Vou ouvir o dono do posto Tiradentes, o gerente e um funcionário, disse Amaro. As intimações deverão ser entregues hoje.
No início da próxima semana, o delegado ouvirá testemunhas do caso como um taxista e um vendedor de lanches que trabalham nas imediações do posto. Também ouvirei o dono do Posto Manancial, que foi impedido de baixar os preços dos combustíveis; e o presidente do Sindicato dos Taxistas de Londrina, adiantou. A pena por formação de cartel varia de dois a cinco anos de reclusão ou multa.
A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) disse ontem que, pela levantamento de preços divulgado pela agência na internet, os técnicos ainda não têm subsídios para detectar a existência de cartel em Londrina. A pesquisa começou a ser feita pela empresa Análise e Síntese, no último dia 12. Por enquanto, 60 municípios estão listados no site. Até o próximo dia 12, serão 411.
Caso a ANP encontre indícios de formação de cartel em alguma dessas cidades, a agência vai informar a Secretaria de Direito Econômico, ligada ao Ministério da Justiça, que será responsável por uma possível investigação. O levantamento de preços está sendo atualizado às quintas-feiras. O acesso às informações pode ser feito pelo endereço www.anp.gov.br.
No último dia 17, a Análise e Síntese pesquisou 52 postos de Londrina. Destes, o posto Monteiro e Azevedo no Cinco Conjuntos vendia a gasolina mais barata o litro custava R$ 1,70. Onze postos comercializavam gasolina por R$ 1,76, 25 por R$ 1,77, dez por R$ 1,78 e cinco por R$ 1,79. A média é R$ 1,77. Segundo a pesquisa, a média de preços em Curitiba é R$ 1,651. Em São Paulo, é R$ 1,67.


