Vânia Casado
O delegado do ministério da Agricultura no Paraná, Mário Bezerra Guimarães, negou insistentemente todas as acusações de extorsão que estão sendo feitas pela Associação Comercial, Indústrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap) contra ele. Bezerra disse, ontem, que desconhecia totalmente o ‘‘esquema’’ pelo qual funcionários mantidos pela iniciativa privada ocupavam postos estratégicos na fiscalização do serviço público. Ele ressaltou que a manipulação de documentos privativos do serviço público é um ‘‘escândalo’’ e afirmou que estava reunindo provas para confirmar que não participou de esquema nenhum e que desconhecia qualquer acerto entre funcionários do ministério e a Aciap, mantido desde março de 1998.
Antes disso, o presidente da Aciap, Alceu Claro Chaves, disse que o salário dos funcionários que atuavam no ministério era mantido por 13 empresas exportadoras, para ‘‘agilizar o serviço’’. O empresário acusa a burocracia do ministério pela situação e explica que um certificado fitossanitário, emitido no máximo em 24 horas, demora pelo menos 20 dias, sem o apoio dos funcionários extras porque o serviço público não tem funcionários. O caso de extorsão, em que a ACIAP envolve o delegado Bezerra e o funcionário Lizuardo Antonio Delgado, que ocupa o posto de chefe do Serviço de Vigilância Agropecuária (SVA) em Paranaguá, está sendo apurado pela Polícia Federal e por duas comissões instaladas pelo ministério da Agricultura. Segundo a denúncia, gravada em fitas pelos empresários, Delgado estaria pedindo R$ 40.000,00 por mês para manutenção do acordo Aciap e SVA.
Em nota enviada ontem a este jornal, o funcionário Lizuardo, contou a sua versão sobre o caso e disse que ele foi alvo de ‘‘tentativa de corrupção’’ por parte do presidente da Aciap. Segundo Lizuardo, quando a entidade foi comunicada que o ministério estava providenciando a ida de estagiários para fazer frente ao volume de trabalho, Alceu Chaves o procurou para ‘‘falar claramente sobre o pagamento de uma quantia e insinuou vantagens pessoais para eu deixasse as coisas como estavam anteriormente’’.
Bezerra disse que não tem motivos para desconfiar que Lizuardo está envolvido em atitudes suspeitas e justificou que transferiu o funcionário de Foz para Paranaguá há quatro meses, em função de administração de rotina. Lizuardo Delgado foi ocupar o posto que era ocupado por Edson Muzio de Carvalho, que atualmente está em viagem ao exterior. Bezerra disse que só foi informado da presença ilegal de funcionários mantidos pela Aciap no escritório da SVA, quando ocorreu a transferência de chefes do escritório.
Conta que foi informado da presença de funcionários estranhos ao ministério através de ofício nº 1999 de 18 de maio. Em seguida mandou o oficio para a assessoria jurídica que deu o parecer e apontou a irregularidade da situação. No dia 20 Bezerra mandou suspender os serviços mantidos pela Aciap e mandou dois funcionários da DFA (Delegacia Federal da Agricultura) para o serviço de emissão de certificados.
Desde que o caso foi comunicado ao Ministério da Agricultura em Brasília, o serviço de fiscalização em Paranaguá, em Foz do Iguaçu e em Dionísio Cerqueira (SC) está sob intervenção federal. Foram enviados quatro técnicos, dois engenheiros agrônomos e dois veterinários que vão apurar as denúncias de irregularidades e apresentar os resultados num prazo de 60 dias. O senador Osmar Dias (PSDB-PR), que acompanhou o empresário Alceu Chaves no dia 30 de junho, quando formulou a denúncia ao ministério da Agricultura, em Brasília, também emitiu nota oficial, ontem à tarde, afirmando que não faz pré-julgamento do caso, antes das denúncias serem esclarecidas. Disse que não ouviu as fitas e aguarda as providências do ministro Francisco Turra e do secretário executivo Celso Matsuda.

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