Delegado denuncia coação e cartel
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quarta-feira, 08 de agosto de 2001
Benê Bianchi<BR>De Londrina 
As investigações chefiadas pelo delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial, de Londrina, Márcio Vinícius Amaro, concluíram que os donos de postos de combustíveis de Londrina sofrem coação e são constrangidos por um grupo de empresários do setor a praticar os mesmos preços de combustíveis nos diversos estabelecimentos. A prática, segundo o delegado, caracteriza formação de cartel.
Ele finalizou ontem o inquérito aberto dia 25 de junho para apurar as denúncias de coação e constrangimento ilegal. O documento, com 104 páginas, deveria ser entregue ao promotor de Defesa do Consumidor, Roberto Tonon Júnior, mas ele estava em serviço fora do Fórum. O relatório foi recebido pela estagiária Ana Paula Palácios Pereira.
No inquérito estão indiciados um gerente e sete proprietários de posto, cujos nomes estão sendo mantidos em sigilo devido à uma petição do advogado do grupo, Sérvio Borges da Silva. Se o promotor acatar a denúncia, os proprietários de postos responderão por crime contra a ordem econômica e contra a economia popular.
O gerente do posto Tiradentes, Gilson Laudemir Paludeto, foi indiciado por falso testemunho. Em seu depoimento à polícia, o funcionário disse que o posto em que trabalha não foi vítima de pressão para elevar preços. Mas a informação acabou contrariada por outros depoimentos. Em um segundo depoimento, Paludeto confirmou a primeira versão e foi indiciado.
O delegado informou que foi constatada coação e constrangimento contra um proprietário de posto da região central de Londrina, que pediu para não ser identificado assim como seu estabelecimento por receio de represálias. Quanto ao posto Tiradentes, não ficou comprovado o crime porque os envolvidos não colaboraram. Mas temos informações suficientes para dizer que um grupo de donos de postos vem coagindo empresários a praticarem os mesmos preços de combustíveis, disse Amaro.
Ele não viu necessidade de pedir a prisão preventiva dos envolvidos. Entendemos que neste momento os elementos autorizadores da prisão preventiva não estão presentes, disse.
Em entrevista por telefone à Folha, o promotor Roberto Tonon Júnior informou que hoje encaminhará o inquérito ao cartório distribuidor para ser distribuído a uma vara criminal. De acordo com o procedimento formal, a vara criminal fará o encaminhamento para a Promotoria de Defesa do Consumidor. Iremos analisar se há provas de prática de crime e indícios de quem sejam os autores. Em caso afirmativo, ofereceremos denúncias, informou.


