As investigações chefiadas pelo delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial, de Londrina, Márcio Vinícius Amaro, concluíram que os donos de postos de combustíveis de Londrina sofrem coação e são constrangidos por um grupo de empresários do setor a praticar os mesmos preços de combustíveis nos diversos estabelecimentos. A prática, segundo o delegado, caracteriza formação de cartel.
Ele finalizou ontem o inquérito aberto dia 25 de junho para apurar as denúncias de coação e constrangimento ilegal. O documento, com 104 páginas, deveria ser entregue ao promotor de Defesa do Consumidor, Roberto Tonon Júnior, mas ele estava em serviço fora do Fórum. O relatório foi recebido pela estagiária Ana Paula Palácios Pereira.
No inquérito estão indiciados um gerente e sete proprietários de posto, cujos nomes estão sendo mantidos em sigilo devido à uma petição do advogado do grupo, Sérvio Borges da Silva. Se o promotor acatar a denúncia, os proprietários de postos responderão por crime contra a ordem econômica e contra a economia popular.
O gerente do posto Tiradentes, Gilson Laudemir Paludeto, foi indiciado por falso testemunho. Em seu depoimento à polícia, o funcionário disse que o posto em que trabalha não foi vítima de pressão para elevar preços. Mas a informação acabou contrariada por outros depoimentos. Em um segundo depoimento, Paludeto confirmou a primeira versão e foi indiciado.
O delegado informou que foi constatada coação e constrangimento contra um proprietário de posto da região central de Londrina, que pediu para não ser identificado – assim como seu estabelecimento – por receio de represálias. ‘‘Quanto ao posto Tiradentes, não ficou comprovado o crime porque os envolvidos não colaboraram. Mas temos informações suficientes para dizer que um grupo de donos de postos vem coagindo empresários a praticarem os mesmos preços de combustíveis’’, disse Amaro.
Ele não viu necessidade de pedir a prisão preventiva dos envolvidos. ‘‘Entendemos que neste momento os elementos autorizadores da prisão preventiva não estão presentes’’, disse.
Em entrevista por telefone à Folha, o promotor Roberto Tonon Júnior informou que hoje encaminhará o inquérito ao cartório distribuidor para ser distribuído a uma vara criminal. De acordo com o procedimento formal, a vara criminal fará o encaminhamento para a Promotoria de Defesa do Consumidor. ‘‘Iremos analisar se há provas de prática de crime e indícios de quem sejam os autores. Em caso afirmativo, ofereceremos denúncias’’, informou.

mockup