O delegado Aníbal Bassan Júnior, da Delegacia de Proteção ao Consumidor, abriu ontem inquérito policial para apurar a responsabilidade da operadora e agência de turismo CWB, de Curitiba, na venda irregular de pacotes turísticos. A empresa, que atuava há 14 anos no mercado e era a maior do Paraná, fechou as portas na segunda-feira sem avisar funcionários e clientes. Agora, está sendo acusada de ter lesado as pessoas que compraram passagens e viagens. Até o início da noite de ontem, a delegacia tinha registrado 12 queixas contra a empresa.
Bassan disse estar convencido que a agência agiu de má fé ao fechar a empresa. ‘‘Houve caracterização de delito e por isso decidimos abrir inquérito’’. Ele afirmou que a princípio poderá enquadrar a agência em crime contra o consumidor, mas o processo pode avançar para o estelionato.
Um dos casos que motivou Bassan a abrir inquérito foi a de um passageiro que fez uma reserva de quatro diárias em um apartamento duplo em Amsterdã (Holanda). Segundo o delegado, ele se hospedou no hotel e quando deixou o local descobriu que a CWB não tinha garantido a reserva, apesar de ele ter pago R$ 819,00 à agência. A queixa contra a CWB foi feita por Débora Delfina, que trabalha na Agência Langetur. ‘‘O nosso cliente foi obrigado a pagar a despesa do hotel e agora nós vamos ressarcir o dinheiro a ele’’, disse Débora.
Assim como Débora, outras agências e clientes se tornaram vítimas da CWB. A secretária desempregada Glícia Lopes, 21 anos, viajou em outubro para Miami. Ele pagou a viagem com cheques pré-datados no valor de R$ 344,00, que deveriam ser descontados todo dia 10 de cada mês, até abril. Ontem, o gerente de seu banco a avisou que os cheques caíram de uma só vez. Ela deu queixa na polícia para sustar os cheques antes que eles fossem compensados.
A Associação Brasileira de Agências de Turismo estima que 2 mil pessoas tenham sido lesadas. ‘‘Calculamos este número com base no movimento diário da CWB’’, disse o vice-presidente da Abav, Antonio Azevedo. A associação calcula que a dívida da empresa atinja R$ 2,5 milhões junto a fornecedores. O advogado da CWB, Marcos Luz, garantiu a Azevedo que o número de pessoas atingidas não passa de 150. Ele disse ainda que a CWB vai ressarcir todos os prejuízos, desde que os clientes consigam comprovar que tiveram problemas.

mockup