Delegacia de Estelionato conclui inquérito da Cash Auto
Conclusão da delegacia é que empresa cometeu crime de estelionato; sócio se defende e diz que não pagamento de clientes é fruto de prejuízo causado por erros de gestão em unidades de Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de julho de 2019
Conclusão da delegacia é que empresa cometeu crime de estelionato; sócio se defende e diz que não pagamento de clientes é fruto de prejuízo causado por erros de gestão em unidades de Londrina
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 

A Delegacia de Estelionato concluiu inquérito sobre a empresa de vendas de automóveis Cash Auto. A empresa estava sendo investigada pela delegacia após denúncias de clientes que deixaram seus automóveis aos cuidados da empresa para a venda, mas não receberam o valor prometido. A conclusão do delegado Edgard Soriani, é que houve crime de estelionato. Foram ouvidos cerca de 45 consumidores. O inquérito foi enviado na última sexta-feira (5) para o Fórum de Londrina, para que o Ministério Público apure a possibilidade de oferecer denúncia contra a empresa.
O sócio da empresa, Ycaro Martins, afirma que os balanços da empresa, entregue às autoridades, comprovam todas as operações realizadas em 2018 e mostram que, naquele ano, a empresa teve um prejuízo que impossibilitou o pagamento dos clientes. “A Cash Auto nunca nasceu com a intenção de lesar ninguém”, reitera o sócio, que conversou com a reportagem por telefone.
Thiago Sitta, advogado do escritório Federiche Mincache que representa 10 clientes da Cash Auto, afirma que nenhum dos seus clientes foram pagos pela empresa. “Entendo que resta caracterizada a lesão generalizada a dezenas de clientes que negociaram seus veículos junto à empresa Cash Auto, que a despeito de prometer publicamente realizar o pagamento de todos os consumidores até o mês de março deste ano, não o fez, demonstrando claramente sua prática habitual em não cumprir com suas obrigações, ludibriando os consumidores”, disse o advogado.
Martins afirma que permanece em Londrina, que está cumprindo com todas as exigências da Justiça desde que o inquérito começou e que continua à disposição para quaisquer esclarecimentos. “Fizemos negociações com alguns clientes e temos outros em negociação”, diz. Dos 13 funcionários que trabalhavam nas lojas de Londrina, hoje fechadas, dois receberam os acertos e outros cinco também estão em processo de negociação. O sócio também afirma que a empresa está pagando mensalmente as parcelas de automóveis que estão em financiamento.
A Cash Auto, que permanece em atividade em Curitiba e em Maringá, faz a intermediação entre pessoas que querem vender seus carros e compradores credenciados. A promessa é que o vendedor receba uma oferta em apenas 50 minutos através de uma plataforma on-line. Caso a oferta seja aceita, o vendedor recebe o valor na hora.
No final de fevereiro, o Procon-LD lacrou as duas unidades da Cash Auto em Londrina. A empresa ficou proibida de fazer novas transações no município, sob pena de multa de R$ 10 mil por contrato. Em abril, as lojas fecharam.
Defesa
O sócio da Cash Auto, Ycaro Martins, destaca que o valor devido aos clientes, de cerca de R$ 800 mil é irrisório perto do valor que a empresa movimentava ao ano. Em 2017 e 2018, a empresa movimentou R$ 70 milhões e efetuou a compra e venda de cerca de 3 mil carros, segundo balanço repassado pelo próprio sócio. “Não iríamos simplesmente cometer um crime pelo dinheiro de Londrina, que não chega nem perto disso.”
Segundo Martins, o que desencadeou a dificuldade no pagamento de clientes foram erros de gestão da empresa. As outras unidades, em Curitiba e em Maringá, tiveram resultados abaixo de zero, e um sócio em Itajaí (SC) desistiu do negócio, gerando impacto financeiro. O único bem, de família, que o sócio tinha (um imóvel), foi bloqueado pela Justiça, impossibilitando a sua venda. Conforme o sócio, todo o capital gerado pela Cash Auto foi reinvestido na empresa.
Para Martins, a única maneira de resolver o problema é voltar a ganhar volume de vendas e fazer acordos e pagar os credores. Segundo ele, a empresa está voltando a ganhar volume de vendas após quatro meses. “Estamos trabalhando dia após dia em cima da resolução do problema. Temos falado diariamente com clientes e funcionários. Estamos à disposição de qualquer órgão da Justiça e hoje o principal é retomar as operações com volume.”
Martins ressaltou que é uma empresa inovadora, que foi avaliada em milhões, e destacada em meios de comunicação nacionais, mas que se perdeu na velocidade do seu crescimento e expansão. “É praticamente inadmissível ser considerada uma pessoa que quis lesar os clientes. Estou disposto a vender 100% da Cash Auto para que o problema seja resolvido.”


