Del Paraná controla câmbio na fronteira
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de novembro de 1998
Carmem Murara 
O Banco del Paraná - extensão do Banestado no Paraguai - passou a controlar, esta semana, todas as operações em moeda brasileira feitas pelas casas de câmbio, bancos e comério em Cidade do Leste (Paraguai). A determinação é do presidente paraguaio Raúl Cubas, que baixou um decreto-lei, na última terça-feira, centralizando no Banco del Paraná a troca diária das notas de real por dólares ou guaranis. A medida visa a dificultar a fuga de dólares do Brasil e a lavagem de dinheiro na fronteira dos dois países.
O Banco del Paraná receberá ao final de cada dia os reais que entraram no Paraguai pelas mãos dos turistas e pelos próprios cambistas. O dinheiro brasileiro, que fica com as casas de câmbio, terá de ser trocado pela moeda do país ou pelo dólar. A estimativa é que US$ 250 mil sejam trocados por dia.
Pelo atual sistema, muitas casas de câmbio e doleiros levavam seus reais para serem trocados em Foz do Iguaçu, onde conseguiam fazer o câmbio pelo valor oficial. Os dólares eram colocados em bolsas e malas e cruzavam a fronteira, sem qualquer taxa ou imposto. Em Cidade do Leste, o dinheiro norte-americano era trocado por reais ou guaranis, no mercado negro, o que garantia um bom lucro para os doleiros. No dia seguinte, os reais obtidos com turistas acabavam entrando novamente em Foz do Iguaçu, onde eram trocados por dólares no mercado oficial.
A ciranda financeira diária com os dólares representava fuga de divisas para o Brasil, fortalecendo a lavagem de dinheiro no Paraguai. O governo paraguaio decidiu estancar a sangria pressionado pelo governo norte-americano, que condicionou a liberação de empréstimos para o país a uma moralização do comércio de dólar no Paraguai.
O Banco del Paraná passou, então, a ser a instituição financeira credenciada a operar, devido ao fato de ter um banco brasileiro de sustentação, o Banestado. Para fazer o trabalho, o Del Paraná receberá uma taxa administrativa de 1%. Do total de reais trocados por dólares ou guaranis em um dia, 1% tem de ser repassado para a Secretaria de Prevenção a Lavagem de Dinheiro.
A concentração das operações de câmbio no Del Paraná poderá representar uma quebradeira nas casas de câmbio, previu ontem o presidente do Banestado e do Del Paraná, Manoel Garcia Cid. O Del Paraná era acusado de ser uma lavanderia e hoje estamos liderando a lisura do mercado financeiro paraguaio. A prova disso foi a indicação do presidente Raúl Cubas, comemorou Garcia Cid.


