Dekasseguis ganham atendimento exclusivo
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sexta-feira, 25 de junho de 2004
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Uma das maiores dificuldades dos dekasseguis, quando retornam ao Brasil, é saber como investir o dinheiro ganho em anos de trabalho no Japão. E não é pouco dinheiro - só as remessas de mais de 270 mil nipo-brasileiros, que vivem hoje no Japão, correspondem a US$ 2 bilhões anuais. No entanto, apenas 14% dos homens e 8% das mulheres que voltam ao País e montam um negócio têm sucesso, segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Dekasseguis feita em janeiro e fevereiro deste ano. Investindo nesse nicho é que o Banco do Brasil lançou, ontem, em Londrina, um espaço de atendimento à comunidade nipo-brasileira. O serviço é inédito no Brasil e a expectativa é atender na cidade pelo menos 30 pessoas diariamente.
Segundo o diretor da área internacional do banco, Augusto Braúna Pinheiro, o serviço vai disponibilizar, entre outras informações, dados sobre o mercado brasileiro, oportunidades de investimento e cursos sobre empreendedorismo. ''O objetivo é atender essa comunidade de forma focada, com informações antes dele viajar ao Japão, enquanto está lá, e no seu retorno, orientando na abertura de um negócio'', disse. Ele informou ainda que Londrina foi escolhida para inaugurar o serviço pela ''boa representatividade'' da comunidade nipo-brasileira e que novos postos de atendimento deverão ser disponibilizados em outros estados.
A diretora do Departamento de Informação e apoio ao Dekassegui da Aliança Cultural Brasil-Japão no Paraná, Estela Okabayaski Fuzii, alertou para as consequências da falta de conhecimento e preparo dos dekasseguis nos seus empreeendimentos. ''Quando eles voltam, a experiência no Japão não serve para o Brasil. Com a falta de preparo, não há êxito no empreendimento, aí ele precisa de dinheiro de novo e volta para o Japão. Isso se transforma num vai e vem constante, eles ficam 'eternos viajantes', não se fixam em local nenhum, por isso a iniciativa vem em hora propícia'', avaliou.
Segundo Estela, a pesquisa da Associação Brasileira de Dekasseguis fez o perfil do dekassegui, levantando dados como quanto eles remetem por mês, quanto economizam, em que gastam e em que querem investir. ''Está sendo estudada uma proposta com o Sebrae de também disponibilizar aos dekasseguis cursos de empreendedorismo'', informou.
O espaço de atendimento à comunidade nipo-brasileira do Banco do Brasil em Londrina está funcionando na Avenida Paraná, 343, sala 608.


