Deixar o PR custará R$ 120 mi à Chrysler
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
A montadora Chrysler terá de devolver aos cofres públicos o equivalente a R$ 120 milhões caso decida encerrar as atividades e fechar a fábrica de Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba). O cálculo estimado foi feito pelo governo do Estado. Os valores se referem ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que a montadora deixou de recolher por ter se beneficiado do programa de incentivos fiscais do Estado.
A empresa obteve dilação de quatro anos no recolhimento do ICMS, a contar do início da produção. Nesse período, pode usar o dinheiro economizado para investir na produção e conquistar mercado. Quando vencer o prazo do benefício, a montadora começa a pagar o imposto retroativo.
Pelo protocolo de intenções, se uma fábrica decide interromper as atividades e sair do Estado, tem de pagar penalidades. A primeira é devolver em cota única os benefícios fiscais que recebeu. Também tem de ressarcir o Estado pelos financiamentos que tomou. No caso da Chrysler, a empresa recebeu empréstimo para a compra do terreno e para capacitar mão-de-obra.
Segundo o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, o protocolo de intenções assinado entre governo e Chrysler não estipula um prazo mínimo de vigência do acordo para a empresa devolver os incentivos que recebeu. O Sindicato dos Metalúrgicos havia declarado anteontem que a montadora seria obrigada a pagar o ICMS em cota única se saísse do Estado antes de abril deste ano. Terá de devolver tudo em uma só vez quando sair do Estado, independente da época em que fizer isso, esclareceu, ontem, o secretário. Ele negou que abril seja o prazo limite para pagamento obrigatório dos benefícios.
Salomão voltou a reforçar que não está nos planos da montadora deixar o Brasil, como já havia afirmado também o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. Seria uma insensatez virar as costas para o mercado brasileiro. A Chrysler teria o custo de devolver todo o ICMS e ainda ressarcir os 250 funcionários. Ela perderia as vantagens do regime automotivo brasileiro, citou o secretário.
O governo federal concedeu benefícios para as novas montadoras que vieram para o País. Entre eles, está a alíquota reduzida de 14% para 2,5% no Imposto de Importação. Para a montadora é vantagem manter produção própria, mesmo que pequena, no Brasil. Com isso, a empresa pode importar peças de reposição e carros mais baratos.


