As famílias do empresário Everson de Souza e da digitadora Raquel de Oliveira Pinho Amaral escolheram o consórcio para alcançar a casa própria. No caso dela, a carta de crédito foi adquirida na metade do parcelamento com o dinheiro que Raquel e o marido obtiveram na venda da antiga casa. ''Queremos morar próximo ao centro para economizar tempo e combustível. Todos os dias, atravessamos a cidade para trabalhar. No final do mês, esse vai-e-vem e o trajeto até a escola dos filhos consome, aproximadamente, R$ 500,00 de gasolina'', explicou a digitadora, que, atualmente, vive com a sogra, no Conjunto João Paz (Zona Norte de Londrina).
Embora pague R$ 380,00 de aluguel por um sobrado e mais R$ 416,00 de consórcio, Everson de Souza está tranquilo. Ele possui um terreno onde iniciará a construção de uma casa até o início de 2007. Para isso, ele pretende dar um lance, após dois anos de espera pela contemplação. ''Consegui dois carros zero quilômetro da mesma forma nos últimos 12 anos. É uma poupança forçada temperada com sorte. O financiamento é muito restritivo e burocrático. Acho interessante somente em situações de urgência'', opinou o empresário.
A história da professora Maria Auxiliadora Scaranti é semelhante a de Raquel. Há 12 anos, ela deixou a casa da sogra, com o marido e as filhas, para viver numa casa do Jardim São José, em Cambé (13 km a oeste de Londrina) graças ao financiamento adquirido em nome de seu irmão. ''Na época, não tínhamos renda suficiente para comprar o imóvel''. Apesar da disparidade entre o saldo devedor e a capacidade de liquidação dos mutuários que aderiram ao financiamento corrigido pela Tabela Price antes do Plano Collor, Maria Auxiliadora não se arrependeu da escolha. Assim como milhares de brasileiros, ela e o marido ingressaram na Justiça contra o banco que financiou sua casa e, no final de 2004, obtiveram uma decisão favorável. Desde então, as prestações do imóvel são corrigidas pelo SACRE. ''Falta apenas dois anos e meio para quitar essa dívida'', comemora a professora.
Para o arte finalista Jorge Denis Mendes, que contratou um financiamento de R$ 15 mil por 15 anos, a etapa mais difícil foi encontrar um imóvel livre de pendências. ''A primeira prestação foi calculada em R$ 196,00 há cinco anos e até hoje pago o mesmo valor. Apesar do juro e TR, meu saldo devedor está caindo graças à amortização do crédito que considera o montante já aplicado'', disse.
A estabilidade da economia é um incentivo ao investimento na casa própria por meio de poupança, financiamento ou consórcio. Como a previsão de longo prazo sobre o mercado é um exercício difícil mesmo para especialistas, o ideal, segundo os economistas consultados pela reportagem, é não comprometer mais que 25% do orçamento mensal e evitar parcelamentos muito dilatados que possam sofrer a influência de possíveis oscilações inflacionárias. ''Já paguei 60 das 180 prestações e, caso o pior aconteça, posso vender o carro e usar o FGTS para liquidar o financiamento'', conforma-se Mendes.

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