Deflação medida pelo IGP-DI cresce para 0,45%
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quinta-feira, 07 de julho de 2005
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio A queda generalizada de preços no varejo levou ao aprofundamento da deflação no Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que caiu 0,45% em junho, ante queda de 0,25% em maio. Foi a menor taxa em dois anos, informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado foi impulsionado pela redução dos preços dos alimentos no varejo (-0,92%), principalmente hortaliças e legumes (-8,6%). O IGP-DI é o indexador dos contratos de telefonia fixa.
O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, admitiu a possibilidade de uma terceira deflação consecutiva no indicador em julho, embora não tão intensa quanto a de junho. ''Minha avaliação é de que o processo de deflação está acabando. Mas não sei se poderá haver espaço para que a deflação acabe em um período de 30 dias'', disse. Quadros explicou que processos de deflação muito longos indicam cenário de recessão. ''Esse não é o caso, no Brasil'', frisou.
Com a queda de preço dos alimentos, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), que representa 30% do IGP-DI, passou de alta de 0,79% em maio para deflação de 0,05% em junho também o menor resultado em dois anos. Quadros considerou que a taxa é ''irreal''. ''A inflação do varejo está caindo, sim, mas não tão forte como o IPC-DI mostra. O indicador em junho foi influenciado por fatores passageiros, como a queda de hortaliças e legumes, e pode não apresentar queda em julho'', disse.
Ele lembrou que o reajuste de telefonia fixa, previsto para esse mês, vai pressionar inflação do varejo em julho. O reajuste deste ano é calculado com base no IGP-DI acumulado de 12 meses até maio, que atingiu 8,36%. Não sofrerá impacto, portanto, da deflação registrada em junho.
Como exemplo de que a inflação no varejo está sob controle, Quadros citou o resultado do núcleo mensal do IPC-DI calculado pela exclusão das principais quedas e das mais significativas altas de preço na inflação do varejo. O núcleo recuou para 0,42% em junho, ante taxa de 0,73% em maio. ''Esse resultado mostra que está ocorrendo um processo claro de desaceleração na inflação do varejo'', afirmou Quadros.
Aliados à despencada dos preços do varejo, os preços no atacado continuam em deflação. O Índice de Preços por Atacado (IPA-DI), que representa 60% do índice total, caiu 0,78% em junho, ante deflação de 0,98% em maio. ''Podemos dizer que o IPA-DI, por ter grande peso, contribuiu para que o IGP-DI ficasse com taxa negativa. Mas o que fez o indicador aprofundar a deflação no mês de junho foi mesmo o recuo de preços no varejo'', afirmou.
Ao comentar sobre o porquê de queda menos intensa no IPA-DI, o economista explicou que houve taxa menos negativa nos preços das matérias-primas agropecuárias no atacado (-2,99% para -1,26%), devido às elevações nos preços de dois produtos: soja (3,99%) e bovinos (0,37%).
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-DI) recuou para menos da metade, com alta de 0,76% em junho ante aumento de 2,09% em maio. O IGP-DI registra elevações de 1,53% no ano e de 6,50% em 12 meses.


