Deflação maior indica recessão
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sexta-feira, 18 de setembro de 1998
Agência Folha 
A perda de ritmo da atividade econômica está fazendo a Fipe rever sua projeção de inflação para os próximos meses. Em setembro, a deflação vai ser maior do que a esperada no início do mês. A queda dos preços, em média, deve ser de 0,4%, e não de 0,1%, como a instituição previa até a semana passada.
Essa perda de ritmo da economia pode provocar um quadro de recessão já no final deste ano ou início de 99, segundo o economista Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da entidade. Essa situação econômica pouco favorável nesses últimos meses do ano vai provocar uma queda na inflação de 1998 para apenas 0,50%, taxa de fechamento de um ano completo (janeiro a dezembro) nunca registrado desde que se iniciou a apuração de preços em São Paulo, em 1939.
O quadro de recessão, se confirmado, poderia também antecipar a taxa de deflação acumulada em 12 meses, prevista inicialmente pelo economista da Fipe só para o final do primeiro trimestre do próximo ano. A queda de preços internos se deve não só às recentes medidas tomadas pelo governo, principalmente a alta dos juros, como também a um quadro de deflação mundial, diz Heron do Carmo.
As indústrias brasileiras estão pagando menos atualmente tanto pelas commodities nacionais quanto pelas importadas, diz o economista. Com isso, o custo de produção está menor em dólares. Esse quadro de deflação mudaria se o governo promovesse mudanças no câmbio. Os exemplos anteriores, e o mais recente foi o da Rússia, mostraram que desvalorizações da moeda local são inflacionárias, diz o economista.
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgou ontem os dados de inflação da segunda quadrissemana de setembro. Conforme pesquisa da instituição, os preços recuaram 0,85% nos últimos 30 dias terminados em 15 de setembro. Na primeira quadrissemana, a deflação havia sido de 0,94%. Se a queda de 0,4% nos preços prevista para setembro for confirmada, a deflação acumulada nos nove primeiros meses deste ano será de 1%, diz Heron do Carmo.
Uma das principais quedas de preços na segunda quadrissemana ficou para vestuário, que está custando, em média, 4,23% a menos para os paulistanos. O economista da Fipe diz que o aumento de juros elevou ainda mais o custo da manutenção dos estoques. Por isso, os comerciantes preferiram tentar acelerar as vendas reduzindo preços.


