Rio de Janeiro Uma das principais causas da deflação apurada pelo IPCA foi a queda do consumo nos últimos meses. Sem ter quem compre seus produtos, o comércio foi obrigado a reduzir o preço de vários itens - de combustíveis a televisores.
Especialistas apontam o baixo consumo como o motivo para a gasolina ter caído mais nos postos do que nas refinarias em maio e junho. A queda acumulada nos dois meses foi de 8,15% nas bombas - a Petrobras diminuiu seu preço em 6,5% no final de abril. Só em junho, o recuo ao consumidor foi de 4,94%.
''Ninguém está andando de carro, para economizar. O consumo de combustível tem diminuído há vários meses. Por isso, os postos estão tendo de vender mais barato'', afirmou Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura).
Também são exemplos desse comportamento as quedas dos cigarros (1,68%), televisores (2,71%) e remédios (0,32%), segundo o IBGE. Com queda de 12,14% em junho, o álcool combustível foi outro produto influenciado pelo menor consumo.
''A demanda está fraca. É inegável. O comércio vai mal. Isso faz com que muitos produtos tenham seu preço reduzido'', afirmou Luiz Roberto Cunha, economista da PUC-Rio e da Fecomércio-RJ. De janeiro a abril, as vendas do comércio varejista caíram 5,45%, de acordo com o IBGE.
Para Cunha, até mesmo os alimentos - mais essenciais e cujo consumo é difícil de ser cortado - sofreram, em parte, com a redução da atividade econômica. Eles tiveram deflação de 0,34% em junho.
Por outro lado, existem produtos no IPCA que resistem à queda. É o caso dos itens de limpeza (alta de 0,35%) e higiene pessoal (0,99%), que até chegaram a desacelerar em junho, mas ainda apresentam taxas positivas. São setores dominados por poucas empresas, o que facilita a manutenção de um nível de preço elevado, e que ainda carregam resquícios da pressão do câmbio no final de 2002.
De acordo com dados da UFRJ, 60% dos 512 produtos do IPCA ainda subiram em junho. Em maio, o percentual era maior: 66%. O pico, porém, havia sido em novembro: 86%. Naquele mês, o IPCA bateu em 3,02%, uma das maiores taxas do Real.

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