Rio de Janeiro - A deflação no Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) perdeu o fôlego, e passou de 0,70% em junho para 0,20% em julho. ''A deflação dá sinais de esgotamento. Mas isso não significa que voltaremos a ter problemas de pressão inflacionária, ainda mais se continuarmos com a política monetária de hoje'', disse ontem o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Para agosto, o economista não descartou retorno de variação positiva.
A perda de intensidade na deflação atingiu quase todos os indicadores que compõem o IGP-DI. O Índice de Preços por Atacado (IPA-DI) foi de -1,16% para -0,59%. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) passou de -0,16% para 0,34%. Quadros explica que os três fatores que estavam contribuindo para a deflação - boa safra, efeito cambial favorável e fraca demanda, estimulando os empresários a baixarem preços -, ainda estão influenciando o índice.
No atacado, os produtos agrícolas passaram de -1,04% para -0,42%, e os produtos industriais, de -1,21% para -0,66%. ''Com este resultado, vemos que a perda de intensidade na deflação está bem espalhada, em vários segmentos da economia'', afirmou. Entre os produtos, as mais expressivas altas de preços no IPA foram registradas em bovinos (4,89%), suínos (7,09%), aves (1,72%) e mandioca (4,66%).
A inflação nos preços do varejo em julho foi causada principalmente pelas tarifas e preços administrados. Segundo o técnico da FGV André Braz, se fossem descontados os efeitos das tarifas de telefonia e energia elétrica, o IPC do mês teria deflação de 0,09%.
Quadros explicou que, com a nova rodada de preços administrados - cujos reajustes ocorrem historicamente em julho -, o IPC subiu mais rápido do que o IPA. O impacto das tarifas pôde ser verificado entre as mais expressivas altas no varejo. Foram registradas elevações nos preços de telefone residencial (10,62%), eletricidade residencial (2,42%) e plano e seguro-saúde (0,71%).
A FGV também divulgou o núcleo do IPC-DI, que em julho foi de 0,53%, acumulando alta de 12,64% nos últimos 12 meses. A fundação informou que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) foi de 0,99% em julho.

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