Deflação aponta para nova elevação da Selic
A deflação de 0,09% do IPCA-15 de julho, que mostrou um recuo vigoroso dos núcleos, reforça a possibilidade de o Banco Central (BC) elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual em setembro, avaliou o economista da consultoria LCA, Fabio Romão. Ele ressalta que o BC deve elevar os juros em 0,75 ponto porcentual hoje. O especialista acredita que a desaceleração do nível de atividade deve continuar a diminuir as expectativas para a alta dos juros de analistas de mercado, apuradas pela pesquisa Focus, na próxima semana. Ele prevê que o IPCA deve fechar o ano em 5,1%, mas ressalta que há chances de que sua estimativa seja reduzida em breve para 5%. Com o IPCA-15 de julho, que veio abaixo da mediana de alta de 0,02%, apurada pelo AE-Projeções, Romão deve alterar a previsão de alta do IPCA de julho, de 0,12% para uma marca próxima a 0,07%.
Romão também destacou que o indicador exibiu uma alta de 0,28% dos preços de serviços, muito próxima à elevação de 0,27%, registrada pelo IPCA-15 de julho de 2009. ''O desaquecimento da economia mostra que o nível de atividade entrou numa rota mais sustentável de expansão no segundo trimestre, o que não permite altas expressivas de prestadores de serviços'', afirmou.
Ele espera que o IPCA-15 deve fechar o ano em 5,05%. Na sua avaliação, caso o indicador apresente um desempenho mais baixo nos próximos meses isso poderá ser puxado pelos preços de automóveis usados e novos e por vestuário, o que estaria relacionado com as importações, favorecidas pelo câmbio, e pelo aumento da produção doméstica. Ele não espera, contudo, que os alimentos apresentem desaceleração vigorosa, dado que no segundo semestre fatores sazonais, como aumento de consumo nas festas de fim de ano, não devem diminuir a demanda, inclusive porque o País está crescendo com vigor.
O especialista aguarda que os alimentos devem registrar uma alta de 2,13% de agosto a dezembro dentro do IPCA-15, o que, junto aos 5,41% apurados de janeiro a julho, representaria uma alta de 7,65% no ano. Para o IPCA deste mês, ele espera que os alimentos e bebidas devem registrar uma queda de 0,45%. ''Pode ser que a queda das expectativas para o IPCA nas próximas semanas provoque também redução das projeções para os juros no final deste ano'', ressaltou.
O economista do Dieese, Sandro Silva, destacou que o Banco Central poderia rever a postura de aumento de juros já que a inflação está em ritmo menor. No entanto, ele acredita que o BC vai manter o mesmo patamar de 0,75 ponto percentual de aumento da Selic (taxa básica de juros) na reunião desta semana. (A.B./com Agência Estado)





