Defis define greve e PR 'fica vulnerável' à aftosa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de novembro de 2011
Victor Lopes Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
''O Paraná vai ficar vulnerável frente à febre aftosa''. A afirmação é do presidente da Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR), Rudmar Luiz Pereira dos Santos, que confirmou ontem à reportagem da FOLHA o início da greve dos servidores do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis/Seab) a partir da próxima segunda-feira. A estimativa da categoria é uma adesão inicial de 83% dos servidores, o que corresponde a cerca de 600 trabalhadores.
Na manhã de ontem, o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, recebeu no município de Grande Rios, Centro do Estado, onde participava de uma reunião com produtores de café, a notícia de que a decisão sobre a greve havia sido protocolada na Secretaria. Ortigara disse com exclusividade à FOLHA que a reivindicação dos funcionários da entidade é impossível de atender por trata-se de uma medida inconstitucional. ''A constituição proíbe tal feito'', reforçou. Ortigara afirmou ainda que os funcionários do Defis deverão receber uma remuneração maior. Porém, não poderão ser funcionários da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).
Frente à negativa do secretário da Agricultura, Rudmar criticou que existe uma divisão política no Governo para não haver a transformação dos cargos. Segundo ele, a briga não é por aumento de salários, mas sim ''por respeito em relação aos servidores do Defis''. ''O secretário não tem o conhecimento técnico para saber a importância dos servidores. Todos os procedimentos legais foram tomados para o início da greve'', salientou o representante da Afisa.
Em relação à inconstitucionalidade da transposição e transformação dos cargos, Santos enfatizou que esta questão está superada, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) ''sabe como fazer esta transformação''. ''A Procuradoria Geral do Estado (PGE) cai no ridículo quando discute este assunto. É um ato falho e fraco.''
Santos calculou que dos 350 agronômos e veterinários do Defis, por volta de 300 devem aderir ao movimento, o que deixa o Estado em relação delicada para controlar a aftosa. Ele comentou ainda que os servidores - mesmo com a negativa do secretário - aguardam que a negociação possa acontecer. ''Estamos abertos para a negociação. A pauta é uma só: a transformação e transposição dos cargos'', decretou.
Perigo
Marco Antonio Teixeira Pinto, diretor do Defis, relatou que ainda não se encontrou com Ortigara e não sabe como está a negociação com os servidores. Ele disse não acreditar no movimento, por conta de ''informações desencontradas'' que recebeu.
Entretanto, comentou que se a greve começar forte, ''paira uma nuvem negra em relação à doença no Paraná''. ''O problema fica sério. Cerca de cem agronômos e veterinários que estão em treinamento seriam deslocados para a área de fronteira, onde o trabalho é maior. Mas este número de pessoas não é o suficiente'', complementou. O Paraguai registrou casos recentes de aftosa.


