Roberto Castro/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Kandir: em 15 ou 20 dias será liberado o 1º financiamentoBRASÍLIA - Agricultura, setores exportadores, portos, estradas e ferrovias receberão novos investimentos, com a venda da Vale do Rio Doce. O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, disse ontem que em 15 ou 20 dias será liberado o primeiro financiamento do Fundo de Reestruturação Econômica (FRE), a ser formado com metade dos recursos obtidos com a venda da empresa.
Na quarta-feira, numa reunião onde analisou o leilão da Vale, o presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ao ministro que apresse os planos de utilização dos recursos do FRE. Kandir explicou ontem aos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento do Congresso que o FRE receberá metade do dinheiro obtido com a venda da Vale em suas três etapas: a venda do controle, ocorrida na terça-feira, a venda de ações aos empregados e a venda de ações ao público.
Ele estimou que, ao final de todo esse processo, a União terá arrecadado cerca de R$ 5,6 bilhões com a privatização da Vale. Portanto, o FRE receberá em torno de R$ 2,8 bilhões. Por enquanto, ingressaram R$ 3,3 bilhões com a venda do controle, dos quais R$ 1,65 bilhão vai para o Fundo.
A idéia é utilizar o FRE para financiar o setor privado. Só dessa maneira o governo poderá contabilizar o uso daqueles recursos como redução do endividamento público, uma vez que a União passará a ser detentora de um crédito contra o setor privado. O gestor do FRE será o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que está detalhando os planos de utilização dos recursos.
Os setores a serem atendidos, conforme os estudos preliminares, são:
- Exportações - A idéia é utilizar cerca de R$ 1 bilhão para garantir as exportações. Atenderia a empresas que queiram exportar equipamentos, obras e outros bens de período longo de produção e de financiamento, a países onde há risco de conturbações políticas.
- Infra-estrutura - Cerca de 20% do obtido com a privatização, em torno de R$ 1,1 bilhão, iria para financiar projetos privados em infra-estrutura. A ênfase iria para ferrovias e portos. O restante dos recursos iria para projetos de reestruturação de setores que perderam a competitividade.

mockup