O teatro municipal de Londrina será construído no terreno da antiga Anderson Clayton, onde hoje funciona a multinacional Comércio e Indústria Brasileira Coinbra S/A, na Zona Leste, e não mais no Colossinho, onde era a vontade inicial do prefeito Nedson Micheleti e de um grupo de produtores culturais da cidade. A área, que no total tem 10 alqueires (236 mil metros quadrados) inclui o Marco Zero e foi adquirida por um grupo de empresários liderados pelo imobilirista Raul Fulgêncio. Eles estão doando 20 mil metros quadrados da área para a construção do teatro e o restante do espaço será destinado a empreendimentos comerciais.
A doação põe fim ao impasse entre a Prefeitura e a Taveri Participações Ltda, que travaram uma verdadeira batalha jurídica na disputa pelo terreno do Colossinho, antigo Colégio Londrinense, na área central, em meados de 2004. Inicialmente, o prefeito e os produtores culturais queriam construir o teatro no Colossinho. Efetivando a doação, Nedson informa que cancelará o decreto que desapropria a área do Colossinho e, automaticamente, a ação popular que tramita no Tribunal de Justiça será anulada. O TJ ainda não decidiu sobre o recurso do município que constesta o cancelamento do decreto municipal obtido em primeira instância.
Concretizada a doação, o prefeito informa que a Taveri Participações poderá fazer o que bem entender com o terreno do Colossinho, à excecão de que no local seja construída uma unidade do norte-americano Wal-Mart maior rede de supermercado do mundo. A Taveri Participações, que é um escritório de advocacia de São Paulo, representa os interesses do Wal Mart. ''Achei brilhante a idéia do Raul (Fulgêncio) em doar a área da Zona Leste para o teatro. Gostei muito da idéia. O Colossinho era a única área que tínhamos em vista na área central, mas continuo inflexível sobre a construção do Wal-Mart no local. Com o Wal-Mart a guerra continua'', declara Nedson.
Ele deixa claro, entretanto, que a rede de supermercados é bem vinda na cidade, mas não há necessidade de se instalar na área central, que sobrevive do pequeno comércio. Para o Wal-Mart, opina o prefeito, existem várias outras áreas. Uma delas, exemplifica ele, é nas imediações da Avenida Airton Senna, a caminho do Catuaí Shopping. ''Lá têm bastante terrenos grandes e eles (rede Wal-Mart) têm dinheiro para comprar'', comentou Nedson.
Segundo o prefeito, se o supermercado vier para o centro da cidade vai concorrer com o pequeno varejo e ao mesmo tempo em que emprega 200 ou 300 funcionários, contribui para que o pequeno comércio demita o triplo. ''O Wal-Mart é depredador'', argumenta. Só para citar um exemplo dos prejuízos que o Wal-Mart poderá trazer ao pequeno comércio, Nedson lembra das casas de tintas que funcionam na Rua Quintino Bocaiúva e imediações, onde está localizado o Colossinho. ''O Wal-Mart vende tintas e ali é um ponto deste tipo de comércio. Não há dúvida de que ele (Wal-Mart) irá arrebentar com essas lojas e de demais segmentos'', enfatiza o prefeito.
''Só espero que seja feita alguma coisa na área do Colossinho. Aquele terreno está abandonado há 30 anos e quando disse que faria o teatro lá, surgiu a discussão'', alfinetou o prefeito, que enfrentou ação popular para anular o decreto que desapropriava a área pouco antes da sua campanha à reeleição. Nedson sugere no local a construção de prédios comerciais ou torres residenciais. ''Só não comporta ali um mercado como o Wal Mart, que traria um grande movimento de caminhões em ruas estreitas daquelas imediações, que não comportam o fluxo de veículos''.

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