Independente do que for decidido na reunião de hoje do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), o Paraná terá que continuar as ações de vigilância epidemiológica do rebanho para conseguir retomar o status de área livre de febre aftosa. Hoje, a partir das 13h30, integrantes do Conesa e técnicos da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) definem o destino dos 1,8 mil animais da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). A propriedade é considerada foco de aftosa pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Pelas normas da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), com ou sem abate, deve ser feita uma vacinação de reforço no rebanho e ações de vigilância sorológica nos animais. Deverão ser realizados exames como o Elisa 3ABC e o EITB para que seja demonstrada ausência de circulação viral na região. Pelas normas, a diferença é o tempo que o Estado vai levar para conseguir retomar o status de área livre de aftosa. Há duas opções: o sacrifício dos animais com destruição das carcaças ou a não destruição (se houver aproveitamento da carne). No primeiro caso, o período é de seis meses e, no segundo, 18 meses.
Segundo o virologista Amauri Alfieri, professor da UEL, a OIE modificou suas normas no ano passado e não há diferenças entre o sacrifício dos animais na própria fazenda ou em frigoríficos, desde que toda a carcaça do animal seja descartada. Mesmo que a opção seja por abater os bovinos em frigorífico, segundo Alfieri, não seria necessário o transporte em caminhão baú, uma vez que os animais não apresentam sintomas clínicos de aftosa e, portanto, não disseminariam o vírus.
Circulação viral - Os resultados dos exames dos bovinos da Fazenda Cachoeira apresentados pelo Mapa demonstram que houve contato com o vírus da aftosa, o que não significa que a doença chegou a se desenvolver. ''Se os resultados estiverem corretos, os animais tiveram contato com o vírus'', diz Alfieri. Os diagnósticos apresentados informam que 22% das amostras apresentaram reação positiva ao Elisa e metade deste porcentual foi positivo ao EITB, que analisa as proteínas não estruturais do vírus.
Ele acrescenta que as normas da OIE determinam o sacrifício do rebanho em casos de foco da doença ou em regiões que ficarem constatadas a circulação viral. ''Para uma área ou zona ser considerada livre de aftosa deve haver ausência de circulação viral, mesmo sem sinal clínico'', comenta.
Meio ambiente - O laudo do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) deve ser apresentado durante a reunião de hoje. O documento vai dar um parecer sobre os impactos ambientais causados na propriedade caso o rebanho seja enterrado no local. A propriedade de 1,5 mil alqueires possui um manancial de água espalhado em 46 alqueires.

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