Definição da taxa de juros divide mercado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de abril de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O mercado está totalmente dividido quanto ao resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que define hoje o nível dos juros básicos da economia: de 12 instituições consultadas pela Agência Estado, seis apostam na manutenção da taxa Selic em 18,5% ao ano e seis acreditam num corte de 0,25 ponto porcentual.
As dúvidas em relação à continuidade da trajetória de queda dos juros, iniciada em fevereiro, se devem à persistência da inflação em níveis razoavelmente elevados (o IPCA acumula variação de 7,75% em 12 meses) e o impacto do reajuste dos combustíveis, provocado pela alta do petróleo, sobre os índices de preços.
O diretor de Asset Management do Banco Inter American Express, Marcelo Allain, acredita que há espaço para um corte de 0,25 ponto. Para ele, ainda não é possível dizer se a pressão sobre os preços do petróleo é permanente. Além disso, Allain lembra que, a partir da ata da reunião de fevereiro, o Copom indicou que não vai tentar trazer a inflação para o centro da meta no ano em curso, mas num período mais dilatado, de 18 a 24 meses. Para Allain, outras varíaveis que afetam a decisão do Copom permitem uma redução dos juros: O nível de atividade não está aquecido, o País tem recebido um fluxo expressivo de capitais estrangeiros e o câmbio está comportado, até recuou desde a reunião anterior do Copom.
O economista-chefe da corretora Fator Doria Atherino, Vladimir do Vale, por sua vez, entende que o momento é de cautela. Para ele, o BC não deve reduzir os juros agora porque há um risco de a meta ser superada neste ano. As expectativas do mercado quanto ao IPCA deste ano, por exemplo, estão em 5,32%, próximo ao teto da meta, de 5,5%. Além disso, ele diz que ainda há muita incerteza em relação ao petróleo.


