Cláudia Lopes
De Londrina
O grupo J. Macedo Alimentos S/A está negociando a venda do Moinho Londrina, fabricante da farinha Dona Benta. O gerente industrial do moinho, Jair Suguimoto, não revelou à Folha os nomes dos interessados no negócio mas adiantou que o moinho recebeu inúmeras visitas de possíveis compradores nos últimos 30 dias. ‘‘Estamos em fase de visitas. Por enquanto, não há nada concretizado’’, disse.
Junto com a unidade londrinense, o grupo J. Macedo quer vender os moinhos de Itajaí (SC) e Porto Alegre (RS). Segundo Suguimoto, os motivos são os baixos desempenhos registrados nos últimos anos nas três unidades e a estratégia adotada pela empresa de centralizar a produção nos estados do Nordeste, onde está localizada sua sede, que fica no Ceará.
Embora não revele o atual faturamento do Moinho Londrina, Suguimoto afirmou que houve uma queda na receita de 40% no último ano. Ele disse que, entre os três moinhos que estão sendo negociados, o de Londrina é o que apresenta melhor desempenho. Ao todo, o grupo possui nove moinhos no País.
Adquirida pelo grupo J. Macedo em 1976, a unidade londrinense produz quatro mil toneladas de farinha e farelo por mês. Até 1990, a produção era de 6,5 mil toneladas/mês.
‘‘Houve uma retração no mercado. As donas-de-casa estão preferindo comprar produtos semi-prontos’’, afirmou Suguimoto.
O gerente geral não soube dizer se o comprador do moinho poderá continuar produzindo a marca Dona Benta. ‘‘Isso é uma decisão da direção do grupo’’, disse. Com a venda da fábrica, Suguimoto não acredita que haverá demissões em massa. ‘‘No máximo, poderá haver substituição em um cargo ou outro’’.
No mês passado, representantes do grupo J. Macedo reuniram-se com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Londrina e região, Francisco Carlos Ferreira, para discutir o assunto. ‘‘A gerência descartou a possibilidade de demissões. Mas sabemos que, se a negociação for concretizada, há risco de alguns funcionários, principalmente da área administrativa, perderem o emprego’’, afirmou Ferreira. Ele disse ter solicitado a reunião devido aos boatos que vinham afligindo os empregados. ‘‘Agora, todo mundo está mais calmo’’.
Ferreira disse a Folha que, segundo a ‘‘rádio-peão’’, duas empresas estariam interessadas no negócio: a Santista Alimentos e o grupo norte-americano do setor de alimentos Bestfoods, que acaba de comprar o controle acionário da Arisco Industrial e que já é proprietário das marcas Hellmann’s, Knorr e Campbell’s. ‘‘Rádio-peão’’ é o nome dado às informações que circulam dentro de uma fábrica e que são repassadas boca a boca entre os funcionários.
No Moinho Londrina, trabalham 110 pessoas. O piso salarial da maioria é de R$ 300. A Folha também tentou falar com a direção da Santista Alimentos, em São Paulo, mas não obteve o retorno das ligações telefônicas.