Déficit sobe e o País fica mais dependente
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Agência Folha De Brasília 
O déficit nas contas externas do Brasil subiu pelo terceiro mês consecutivo. Em fevereiro, o chamado déficit em transações correntes principal indicador da dependência externa de um país acumulado nos últimos 12 meses ficou em US$ 26,42 bilhões 4,45% do PIB (Produto Interno Bruto).
Economistas consideram que o déficit em transações correntes é alto quando fica acima de 4% do PIB. Na Argentina, essa proporção está na casa dos 3%. O Chile encerrou o ano de 2000 com um déficit de 2,4% do PIB. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que um dos motivos para o aumento da proporção entre déficit e PIB no Brasil é a alta registrada pelo dólar neste ano. Isso faz com que o PIB medido em dólares fique menor, fazendo com que o déficit fique maior.
Além disso, o volume de juros da dívida externa pago no mês passado praticamente dobrou: passou para US$ 1,05 bilhão, contra US$ 682 milhões em janeiro. Segundo Lopes, isso ocorreu porque começou a ser feito, no mês passado, o pagamento de juros de US$ 5 bilhões em títulos lançados em 2000.
EstrangeirosA quantidade de investimentos diretos feitos por estrangeiros no Brasil caiu 55,3% no primeiro bimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2000. O volume de recursos recebidos pelo país caiu de US$ 4,54 bilhões em janeiro e fevereiro do ano passado para US$ 2,03 bilhões nos últimos dois meses. Em fevereiro, os investimentos líquidos foram de US$ 569 milhões. Foi o menor resultado em três anos.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que o resultado foi causado por uma operação feita pela Motorola, que vendeu a participação no valor de US$ 400 milhões que possuía em uma fábrica instalada no Brasil para uma empresa nacional.
Caso os números de janeiro e fevereiro se mantenham ao longo do ano, o total de investimentos estrangeiros feitos no Brasil ficaria em US$ 12 bilhões metade dos US$ 24 bilhões previstos pelo Banco Central. Lopes afirmou que a meta não será alterada. A tendência (para os próximos meses) é de recuperação, afirmou.
Caso sejam considerados também os empréstimos concedidos por matrizes de empresas estrangeiras a suas filiais instaladas no Brasil, os investimentos estrangeiros feitos neste ano sobem para US$ 2,65 bilhões queda de 44% em relação ao mesmo período do ano passado.
Metas fiscaisO governo federal teve superávit de R$ 603,1 milhões em fevereiro. O resultado, bem inferior ao superávit de R$ 2,54 bilhões do mês passado, foi considerado normal pelo secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa. O resultado não afeta as metas fiscais, disse ele. De janeiro a fevereiro, o resultado acumulado foi maior que em 2000.
Os dois primeiros meses do ano passado acumularam superávit de R$ 2,97 bilhões, enquanto o mesmo período deste ano apresenta superávit de R$ 3,14 bilhões. Segundo o secretário, fevereiro é um mês pequeno e com pouca arrecadação. Além disso, Barbosa citou os gastos decorrentes da aprovação do Orçamento e a destinação de aproximadamente R$ 700 milhões para a área de saúde, como consequência da aprovação da emenda constitucional que destinou recursos específicos para a área, como causas do resultado.
No mês passado as contas da Previdência Social registraram déficit de R$ 522 milhões. O Banco Central teve déficit de 73,5 milhões. O Tesouro Nacional teve superávit de R$ 1,2 bilhão. A conta petróleo (diferença de preço do petróleo no mercado internacional para o praticado pela Petrobras) ficou positiva para o governo em R$ 115 milhões no mês de fevereiro. No bimestre, o saldo da conta está positivo para o governo em R$ 310 milhões.


