Déficit no mês deve superar US$ 700 mi
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terça-feira, 16 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
A balança comercial brasileira caminha para um novo déficit (importações superiores às exportações) ao redor de US$ 700 milhões este mês. O desempenho das trocas comerciais do Brasil com o exterior na segunda semana de setembro indica uma nova aceleração das importações, com um volume de compras no mercado externo da ordem de US$ 1,296 bilhão, enquanto as vendas de produtos brasileiros somaram apenas US$ 1,008 bilhão.
O resultado dessa segunda semana de setembro foi um saldo negativo de US$ 288 milhões, elevando para US$ 300 milhões o rombo na balança comercial no período de 1º a 14 deste mês. Houve um repique das compras no exterior, com a média diária das importações evoluindo de US$ 235,8 milhões na primeira semana de setembro para US$ 259,2 milhões na semana passada. Na direção contrária, a média diária das exportações recuou dos US$ 215,4 milhões registrados na primeira semana para US$ 201,6 milhões na segunda semana de setembro.
De acordo com especialistas em comércio exterior do Lloys Bank, a balança comercial do Brasil deverá registrar um déficit no intervalo de US$ 650 milhões a US$ 700 milhões este mês, refletindo o fenômeno sazonal de importações superiores às exportações na segunda metade de cada ano. A tradução dessa sazonalidade é a antecipação de compras, pelo comércio e pela indústria, para as festas de Natal e Ano Novo.
Mas já existem apostas em um déficit, este mês, na casa dos US$ 800 milhões. Com base na média diária de importações de US$ 247,5 milhões, registrada no período de 1º a 14 de setembro, empresários que operam com comércio exterior, ouvidos ontem, acreditam que o déficit da balança comercial poderá voltar ao desempenho de julho passado. No mês de julho, o saldo negativo da balança comercial foi de US$ 811 milhões.
Tanto as estimativas de especialistas de bancos quanto de empresários que atuam nas duas pontas do comércio exterior (importação e exportação) convergem para um déficit acumulado da balança comercial, este ano, na casa de US$ 10 bilhões, quase o dobro do rombo de US$ 5,5 bilhões do ano passado. É perfeitamente factível trabalhar com com uma expectativa de déficit próximo a US$ 10 bilhões para 1997, diz um paper divulgado ontem pelo Lloyds Bank, lembrando que, em meados do primeiro semestre deste ano, projeções de um déficit superior a US$ 15 bilhões eram consideradas perfeitamente viáveis.


