A balança comercial brasileira fechou setembro com um déficit de US$ 1,283 bilhão, resultado de exportações de US$ 4,588 bilhões e de importações de US$ 5,871 bilhões. O volume de compras é o segundo maior da história do comércio exterior do País, só inferior aos US$ 6,049 bilhões de julho deste ano. No mês passado, as importações apresentaram crescimento de 17,5% em relação a setembro de 1996 e de 4% em comparação a agosto último.
As exportações também cresceram em relação a setembro do ano passado, mas em porcentual menor, de apenas 6,4%. E despencaram 15,7% quando comparadas aos US$ 5,073 bilhões vendidos ao mercado externo em agosto deste ano.
O País acumula um déficit de US$ 6,253 bilhões nos primeiros nove meses de 1997, já descontados os US$ 859 milhões de importações registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) no primeiro semestre do ano e que não foram efetivamente realizadas. Esse déficit já é maior do que o rombo de US$ 5,539 bilhões registrado em todo o ano passado.
Embora o governo não tenha detalhado o resultado das importações e das exportações, especialistas em comércio exterior do setor privado sustentam que as vendas brasileiras ao mercado externo perderam fôlego não apenas por causa do fim das exportações de soja.
Em setembro, segundo essas fontes, também caíram as vendas de produtos metalúrgicos, papel e celulose, derivados de petróleo, fumo e produtos eletrônicos e mecânicos. Do lado das compras no exterior, os gastos aumentaram no mês passado com a importação de aeronaves e de produtos siderúrgicos.
Os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT) mostram que apenas nos últimos dois dias úteis (29 e 30) de setembro as compras no exterior superaram as vendas em US$ 226 milhões. Ou seja, nesse período de dois dias as importações somaram US$ 744 milhões, e as exportações ficaram em US$ 518 milhões. No mês passado, a média diária das exportações foi de US$ 208,5 milhões, enquanto a das importações chegou a US$ 266,9 milhões.
A queda no ritmo de crescimento das exportações já começa a preocupar o governo. O ministro do MICT, Francisco Dornelles, estimou na semana passada que o déficit da balança este ano será inferior a US$ 10 bilhões. Mas nos 12 meses encerrados em setembro, sem considerar a revisão que será feita nas importações realizadas em julho, agosto e setembro, a balança comercial brasileira acumula um déficit de US$ 10,2 bilhões.
O último trimestre de cada ano é, tradicionalmente, um período de importações bem acima das exportações. Especialistas em comércio exterior do setor privado não acreditam que as vendas de produtos brasileiros ao mercado externo possam apresentar uma reação capaz de compensar as compras nos meses de outubro, novembro e dezembro. Nos últimos três meses do ano passado, por exemplo, a balança comercial acumulou um déficit de US$ 3,948 bilhões.
Embora não aposte ‘‘na repetição de uma tragédia dessa ordem’’, uma fonte de um banco de grande porte disse hoje que ‘‘há consenso no setor privado de que uma reversão na tendência de déficits na balança comercial só poderá ocorrer no próximo ano’’. E o déficit anual das trocas comerciais do País até o final deste ano, diz a fonte, vai depender basicamente da ‘‘maior ou menor voracidade das importações’’.

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