Os resultados da balança comercial até a semana passada, divulgados ontem pelo governo, indicam que o País fechará 97 com importações superando exportações em menos de US$ 9 bilhões. Embora o número mostre grande crescimento do déficit comercial, será comemorado pelo governo, uma vez que as estimativas iniciais projetavam um resultado negativo bem superior, em torno de US$ 15 bilhões.
No mês de dezembro, até a última sexta-feira, o déficit ficou em US$ 648 milhões. Mantido esse desempenho, o resultado mensal ficaria em US$ 750 milhões. As exportações foram de US$ 4,042 bilhões (média de US$ 212,2 milhões por dia útil), e as importações, de US$ 4,68 bilhões (média de US$ 246,3 milhões por dia útil).
Ainda que seja normal uma concentração maior de importações no final do mês, é razoável imaginar que o déficit ficará dentro das últimas previsões oficiais, ou seja, abaixo dos US$ 9 bilhões. O déficit de janeiro a novembro foi de US$ 7,737 bilhões, de acordo com a última revisão dos valores das importações feita pela Receita.
Durante o ano, a Receita Federal detectou erros nos registros de importações feitos pelo Siscomex, o sistema informatizado que serve de base para as estatísticas sobre comércio exterior. A correção das importações contabilizadas a mais foi um dos fatores que contribuíram para reduzir as projeções do déficit da balança neste ano.
O déficit comercial, ao lado do déficit público, é uma das principais ameaças ao Plano Real. Como perde dólares pela conta de comércio, o País fica dependente dos investimentos externos para não ficar sem divisas. Quando há menos dinheiro disponível para investimentos no mundo, como aconteceu recentemente com a crise na Ásia, o País fica sujeito a crises e é obrigado a elevar os juros para atrair investidores do resto do mundo.
O próprio Plano Real trouxe de volta os déficits comerciais, ao basear o controle da inflação na sobrevalorização do real em relação ao dólar, barateando os produtos importados.
Além de estimular as importações, a valorização do real torna mais caros os produtos brasileiros no exterior, o que prejudica as exportações, que têm mantido ritmo insatisfatório de crescimento. Por isso, críticos do real pregam uma desvalorização do real em ritmo superior ao que o governo vem imprimindo desde março de 95.
De acordo com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, o resultado final da balança comercial no ano será uma surpresa agradável para o governo. Ele vem acompanhando a revisão automática dos registros pendentes há mais de 15 dias e revela que o valor das Declarações de Importação (DI) canceladas até agora é expressivo, o que permite projeção de um resultado mais favorável no mês de dezembro.

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