Brasília - O deficit do País nas suas transações de bens e serviços com o exterior alcançou 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses encerrados em setembro. É o maior percentual, na comparação com o tamanho da economia nacional, desde fevereiro de 2002, quando estava em 3,9%. O aumento dos gastos brasileiros com serviços estrangeiros e a queda no saldo comercial do País estão entre os motivos que levaram a uma elevação desse resultado negativo nos últimos anos.
No acumulado do ano, o deficit nas transações de bens e serviços com outros países somou US$ 62,7 bilhões.. Na comparação com o PIB, o resultado passou de 3,61% nos nove primeiros meses de 2013 para 3,72% no mesmo período de 2014.
Estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou que o Brasil está entre os dez países com os maiores deficit mundiais, o que não acontecia desde 2006. O resultado brasileiro só é menor que os de Turquia e Reino Unido.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o aumento do deficit para níveis superiores aos do início da década passada ocorreu principalmente em 2012 e 2013, mas está praticamente estabilizado desde então. O BC prevê fechar o ano com deficit de 3,5% do PIB. Para o governo, o importante é que as condições de financiamento desse resultado negativo continuam positivas, com cerca de 80% do valor sendo coberto por Investimentos Estrangeiros Diretos (IED).
"O fundamental aqui é olhar as condições de financiamento. O IED segue ingressando no País em níveis expressivos", afirmou. Em fevereiro de 2002, o IED em 12 meses correspondia a 4,1% do PIB. Hoje, está em 2,9%.

DIFERENÇA PEQUENA
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a diferença entre deficit e investimentos diretos ainda é pequena. "Não é motivo de preocupação no curto prazo, diante do estoque de US$ 380 bilhões de reservas internacionais e do regime cambial de flutuação suja, que abre espaço para um ajuste (limitado devido ao impacto inflacionário) da taxa de câmbio", diz o instituto.
Do ponto de vista da solvência externa, no entanto, a situação não é confortável, segundo o instituto. "No caso do Brasil (e dos demais países em desenvolvimento), esta capacidade depende, exclusivamente, do desempenho das exportações, que têm encontrado dificuldades adicionais no contexto pós-crise."
"É preciso desenhar uma estratégia, envolvendo políticas macroeconômicas e setoriais, para aumentar a competitividade da indústria brasileira nos mercados interno e externo e, com isso, reduzir a vulnerabilidade externa no médio e longo prazo."

COMÉRCIO EXTERIOR
Em setembro, o deficit externo ficou em US$ 7,9 bilhões. Foi o maior valor para este mês do ano da série histórica iniciada em 1947. O BC previa resultado negativo de US$ 6,7 bilhões. "O desempenho da balança comercial foi o principal responsável por essa diferença", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC.
O IED em setembro atingiu US$ 4,2 bilhões e superou a previsão do BC de US$ 3 bilhões. "Tivemos algo em infraestrutura, uma operação no setor energético", afirmou Maciel sobre o destaque do mês. Para outubro, o BC espera deficit de US$ 6,6 bilhões e IED de US$ 3 bilhões.

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