Arquivo FolhaNo vermelhoAltamir Lopes, do Banco Central: déficit está bem acima do patamar desejado pelo governoO déficit nas contas externas brasileiras chegou a 4,3% do PIB (Produto Interno Bruto, a medida da riqueza nacional) no mês de agosto. Em 12 meses, o déficit acumulado foi de US$ 33,019 bilhões. Os dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que o déficit está bem acima do patamar considerado desejável pelo governo, de 3% do PIB - já se prevê que o buraco possa chegar a 5% do PIB até dezembro. Esse déficit é medido pelo critério chamado transações correntes, que incluem a conta de serviços (como pagamento de juros e remessa de lucros e dividendos), balança comercial (importações e exportações) e as transferências unilaterais, não vinculadas a produtos, serviços ou investimentos. A partir do déficit corrente, mede-se a dependência do País em relação aos investimentos externos. Se um País tem déficit, precisa atrair investimentos para não perder dólares.
Os números divulgados pelo BC já incluem a revisão feita pela Receita Federal nas importações do primeiro semestre, que resultou na redução em US$ 859 milhões nas estatísticas divulgadas anteriormente. Em função disso, o BC revisou para melhor os dados sobre as transações correntes, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
No mês de julho, por exemplo, o déficit das transações correntes no período de 12 meses, que era de 4,35% do PIB, caiu para 4,25% do PIB. Os dados do BC apontam que o déficit de agosto foi o segundo menor deste ano: US$ 1,887 bilhão. Esse resultado foi pior apenas que o de janeiro, quando o déficit das transações correntes no mês ficou em US$ 1,650 bilhão.
‘‘Isso mostra que o ritmo de crescimento do déficit é menor’’, disse Lopes. Em agosto, afirmou ele, o déficit das transações correntes teve uma queda de 42,5% quando comparado com o de julho (US$ 3,276 bilhões). Essa queda, porém, não pode ser vista como uma tendência. Lopes disse que o resultado de agosto foi influenciado pela queda nos déficits da balança comercial (US$ 315 milhões) e da conta de serviços (US$ 1,7 bilhão). O pagamento de juros pelo governo brasileiro em agosto ficou em US$ 266 milhões, contra US$ 905 milhões em julho. As despesas com viagens internacionais registraram déficit de US$ 385 milhões - inferior ao déficit de US$ 470 milhões de julho, mas ainda acima do que os técnicos do BC esperavam.
Lopes disse que, como julho foi mês de férias, eventuais compras feitas no exterior com o cartão de crédito deveriam aparecer em agosto. No primeiro semestre, porém, o governo impediu o parcelamento desse tipo de compra, o que ajudou na melhora do resultado.

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