Arquivo FolhaRombo no caixaSe a diferença entre importação e exportação se confirmar em US$ 1 bilhão em março, saldo acumulado da balança desde outubro ficará negativo em US$ 6,9 bilhões Se o déficit da balança comercial em março for de US$ 1 bilhão, como se espera, o saldo negativo acumulado desde outubro somará US$ 6,9 bilhões, segundo os técnicos do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em seu Informe Conjuntural deste mês, divulgado ontem, a entidade considerou o resultado impressionante, já que entre outubro de 1995 e março de 96 houve um virtual equilíbrio entre exportações e importações.
Ao mesmo tempo, porém, de acordo com o Informe, seria ‘‘ingenuidade’’ atribuir o rombo na balança a um superaquecimento da economia. Isso porque, assinalam os técnicos, as exportações ficaram estagnadas no período, enquanto que as importações expandiram-se em 28%, porcentual muito superior ao crescimento registrado pela economia nestes seis meses (6%).
O que se está observando, diz o Informe, é que houve um significativo aumento no coefiência de importações no País, que é a relação entre o que se compra no exterior e o Produto Interno Bruto (PIB).
Para o Departamento Econômico da CNI, a razão do aumento desse coefiente é clara: de um lado, a economia brasileira mudou com a abertura e na sua cadeia produtiva entram mais importados; de outro, faltam mecanismos de incentivo às exportações, sem contar as dificuldades sistêmicas da economia brasileira no que diz respeito à competitividade internacional.
Os técnicos da CNI alertam que as dificuldades da balança comercial não podem ser eficazmente combatidas com medidas de contenção de demanda, como restrições ao crédito, por exemplo. No entender deles, a curto prazo parece ser inexorável a convivência com déficits comerciais elevados.
A média prazo, o País terá de tornar as exportações mais atrativas, por intermédio do aumento da competitividade e rentabilidade dos produtos exportados e por uma mudança na pauta de exportações, de forma a beneficiar mercados mais dinâmicos.

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