Déficit não muda rumos, diz Malan
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sexta-feira, 17 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que o déficit em conta corrente de 4,3% do PIB nos últimos 12 meses, anunciado anteontem pelo Banco Central, não vai alterar a previsão do governo central de encerrar o ano de 1997 com superávit primário de 0,8% do PIB e de 1,5% no conjunto. Malan explicou que o déficit nos últimos 12 meses foi pressionado por um repasse feito em setembro à Previdência Social no valor de R$ 1 bilhão que, segundo ele, ficou muito acima das previsões iniciais. Malan deu entrevista coletiva após a solenidade de posse da diretoria da Associação Brasileira das Empresas de Capital Aberto (Abrasca).
Malan aproveitou para, mais uma vez, criticar a tendência dos analistas ao que classificou de curto-prazismo. Não se deve olhar esses números numa base diária, semanal ou mensal, repetiu o ministro, observando que, tanto no período de nove meses como no período de 12 meses encerrado em setembro, houve uma melhora nessas contas em relação ao mesmo período do ano passado.
Para ilustrar a tranquilidade do governo, Malan disse que em 90% dos leilões de spread de câmbio, o Banco Central comprou dólar no piso da intrabanda. O ministro voltou a afirmar que os juros manterão tendência declinante no médio e longo prazos nos próximos meses. Ele explicou que essa queda será expressiva à medida que o governo avançar na redução do déficit do setor público.
Durante a entrevista, Malan explicou que a globalização abriu novos desafios para as empresas de capital aberto. Segundo ele, a presença do investidor estrangeiro no Brasil exige das companhias uma maior transparência na divulgação de informações financeiras e também a profissionalização de sua administração.
O ministro citou dados para ilustrar o crescimento do mercado de ações desde a implantação do Plano Real. Segundo ele, o número de empresas abertas passou de 864 para 949. O seu valor de mercado cresceu de US$ 189 bilhões para US$ 300 bilhões.
As emissões de ações e debêntures dobraram no período, segundo Malan, passando de US$ 4,1 bilhões para US$ 8,2 bilhões. Além disso, o volume diário médio de negociação nos pregões subiu de US$ 100 milhões para algo entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões. O ministro lembrou ainda que o patrimônio líquido dos fundos de ações e carteira livre cresceu de US$ 2,3 bilhões para US$ 18,5 bilhões desde 94, época da implantação do Plano Real.
Ele explicou o Brasil é hoje o segundo maior receptor de investimentos diretos externos, entre os países em desenvolvimento, perdendo apenas para China e respondendo por 10% do estoque total de investimento estrangeiro recebido por estas nações. O ministro prevê um volume entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões em investimentos externos em 1997, e estima que nos próximos dois ou três anos o País receba um volume entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões.
Malan afirmou também que a decisão da União sobre o destino dos recibos de subscrição da Telebrás, conhecidos como Tel-5, será divulgado no momento oportuno. Ele lembrou que o governo só pode anunciar essa decisão após a publicação de acórdão do Superior Tribunal de Justiça. Tão logo a decisão seja tomada, ela será divulgada amplamente, e não através de insiders ou numa reunião fechada com alguns jornalistas e com a bolsa de valores aberta, respondeu Malan, em tom irritado.


