A balança comercial argentina fechou em 1998 com um déficit comercial de US$ 5,58 bilhões, o que indica um aumento em US$ 1,56 bilhão em relação ao ano anterior. Além disso, o déficit de 1998 ultrapassou em US$ 581 milhões as metas pactadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A perspectiva para 1999 é que o déficit continue crescendo, o que seria consequência - segundo vários analistas - do crescimento das importações do Brasil e também da queda das vendas argentinas para o mercado brasileiro.
O déficit de 1998, que é o segundo maior de sua história (o de 1994 bateu o recorde de US$ 5,75 bilhões), foi o resultado de US$ 31,43 bilhões de importações e US$ 25,8 bilhões em exportações. Em relação a 1997, as importações aumentaram 3%, enquanto que as exportações caíram 2%.
Em relação aos países sócios do Mercosul, a Argentina manteve o superávit, que foi de US$ 1,29 bilhão. Em 1997, esse superávit havia sido maior, com US$ 1,99 bilhão. As perspectivas são de que essa vantagem desapareça neste ano.
Além disso, a Argentina teve superávit com um país associado do Mercosul, o Chile, com US$ 987 milhões. O Mercosul compra 36% do total das vendas argentinas no exterior. Em 1998, o Brasil importou 30% das exportações argentinas, e o Uruguai e o Paraguai dividiram os restantes 6%.
No entanto, o Mercosul é o único lugar onde a Argentina possui superávit, já que a balança comercial com a União Européia (UE) lhe é desfavorável em US$ 4,10 bilhões. A Argentina também possui déficit com o Nafta (US$ 4,58 bilhões) e com os países da Asean (US$ 1,9 bilhão).
O governo, por meio do Instituto de Estatísticas e Censo (Indec), argumenta que embora o volume físico das exportações tenha crescido em 10%, houve uma queda de 11% nos preços.
No que concerne às importações, houve uma redução de 4% nos preços, mas ocorreu um aumento de 8% no volume físico dos produtos importados. Segundo o Indec, se em 1998 fossem mantidos os preços de 1997, o valor das exportações teria crescido em US$ 3,09 bilhões. O valor das importações teria crescido US$ 1,3 bilhões, mas o déficit teria sido menor, sendo apenas de US$ 3 7 bilhões, em vez dos US$ 5,58 bilhões registrados.
Apesar do alerta dado pela Secretaria de Indústria e Comércio, de que as importações provenientes do Brasil haviam crescido em janeiro deste ano, o Indec argumenta o contrário, afirmando que houve uma queda de 32,7% em relação ao mesmo mês no ano passado. Segundo o Indec, em janeiro deste ano foram compradas mercadorias brasileiras por US$ 350 milhões, enquanto que no ano passado, havia sido de US$ 520 milhões.
Mas, para diversos analistas, o crescimento das importações do Brasil está ocorrendo, apesar da relativização com os números do ano passado. Eles sustentam que na primeira semana de janeiro, as compras diárias ao Brasil eram de US$ 12 milhões, enquanto que na última semana do mês, após a desvalorização do real, haviam aumentado para US$ 21 milhões diários.
Entre os produtos brasileiros que registraram maior crescimento de vendas para a Argentina em janeiro estão o chocolate, que passou de US$ 900 mil para US$ 1,8 milhão; produtos farmacêuticos, que foram de US$ 3,2 milhões para US$ 5 4 milhões; e sabão, de US$ 3,3 milhões para US$ 5,2 milhões.
A queda nas vendas ao exterior, principalmente ao Brasil, já estão causando o resfriamento da economia argentina: a indústria automotiva já suspendeu 10 mil trabalhadores, enquanto diversas empresas de autopeças devem dois meses de salários a seus operários. As empresas de papel estão paralisando suas atividades e o setor têxtil já reduziu sua produção em 30%.

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