Déficit impede crescimento do Brasil, diz 'Financial Times'
Agência Folha
De Londres
O déficit nas contas públicas é o principal e mais urgente problema que impede o crescimento econômico do Brasil. Esta é a opinião do diário britânico Financial Times, especializado em finanças, que trouxe ontem suplemento de seis páginas analisando a economia brasileira. A inflação costumava ser o principal problema no Brasil, mas agora são as finanças públicas. O custo de financiar o déficit, que neste ano deve chegar a quase 10% do Produto Interno Bruto, está tirando o sangue da economia , diz a reportagem.
Na opinião do FT , controlar os gastos do governo sempre foi difícil no Brasil, pois a natureza difusa do poder político no Brasil obriga o governo a intermináveis negociações com sua base aliada para aprovar projetos no Congresso. Uma reforma fiscal deveria ser a prioridade do governo.
A reportagem afirma que, para muitos investidores externos, o Brasil continua sendo um país com uma história de moratórias, quebra de promessas, instituições econômicas fracas e descontrole fiscal. Para conquistar a confiança externa, o Brasil tem de provar que o modelo de ciclos de expansão seguida de retração foi quebrado, diz o jornal. Apesar da análise crítica, a reportagem reconhece que as perspectivas de longo prazo para a economia brasileira são positivas. O tamanho de seu mercado e sua cultura capitalista, combinados com a baixa presença de indústrias básicas, fazem do Brasil um dos destinos mais atrativos para investimentos externos no mundo, diz o Financial Times, lembrando que, apesar da crise gerada pela desvalorização do real, o Brasil recebeu mais de US$ 20 bilhões em investimentos diretos neste ano.
O jornal admite também que o desempenho da economia em 1999 foi bom, em comparação com o que se esperava logo após a crise do início do ano. A desvalorização do real não trouxe de volta inflação alta, e a recessão será menor e mais curta do que se previa. O diário defende ainda o aumento das exportações, para dar um caráter mais saudável à economia, e elogia os progressos feitos para consolidar o Mercosul.





