Curitiba - O Brasil precisaria investir cerca de R$ 8,6 bilhões por ano até o ano 2021 para erradicar o déficit habitacional entre as camadas mais pobres da sociedade. O levantamento é da Caixa Econômica Federal e foi apresentado ontem durante as comemorações de 62 anos do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PR). De acordo com o gerente de Produtos da Gerência Nacional de Crédito Imobiliário da Caixa, Alexandre Baptista Freire, o Orçamento Geral da União (OGU) prevê atualmente muito menos do que o valor necessário. Os recursos para saneamento e habitação correspondem a 1,3% das despesas sociais do governo federal e 0,11% do Produto Interno Bruto (PIB).
''O PIB teria que crescer anualmente a uma taxa real superior a 12%. Isso é praticamente impossível. Basta verificar que nos últimos anos, a média do crescimento da economia foi inferior a 5,3%. Isso ainda é um sonho, mas não será realidade'', ponderou Freire. Para que o déficit habitacional seja, de fato, reduzido seriam necessários planejamento de longo prazo e um plano de governo integrado entre estados, municípios e governo federal. Em 2005, foram investidos R$ 9 bilhões em habitação em todo o Brasil. Sendo que 68% dos imóveis feitos foram para famílias com renda de até cinco salários mínimos.
Em 2006, estavam programados R$ 10,3 bilhões em investimentos no setor. Até agora, já foram investidos R$ 2,7 bilhões. ''Mas pretendemos chegar até a meta. O único problema é manter os investimentos e aumentá-los entre as faixas mais pobres. A desigualdade de renda e o adensamento populacional são os responsáveis pelos desajustes sociais e a violência crescente. O diretor geral da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Osvaldo Correa Fonseca, acredita que um dos grandes avanços do novo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) é a parceria entre o poder público e o privado. ''Tivemos com essa integração um crescimento de 80% no setor de financiamento imobiliário se comparado os primeiros meses deste ano com o mesmo período do ano passado'', ponderou.
Fonseca destacou que em 2005, o volume de recursos para a construção cresceu 100,8% comparado a 2004, absorvendo cerca de 58% dos recursos. Os investimentos com recurso da poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também estão aumentando em mais de 70%. O que ainda preocupa é a taxa de inadimplência do setor, que está em 27,76%. ''A taxa de risco seria 3%. Temos que reduzir isto com um sistema de crédito rápido e sem burocracia. Que aprove crédito em um dia e retire o imóvel em casos de inadimplência para garantir a liquidez do investimento para o empresariado e para o poder público''.

mockup