O Paraná ainda não sabe o que fazer para eliminar o déficit florestal de 46.709 hectares por ano. O número foi levantado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e representa a diferença entre o que se corta e o que se planta de florestas no Estado. Se essa defasagem não receber atenção imediata de governo e empresários, a estimativa de engenheiros florestais é que a partir do ano 2000 o Estado não terá mais matéria-prima para produzir papel, móveis e energia (panificadoras e olarias).
De acordo com levantamento do IAP, realizado em 1994, o Paraná consome anualmente 19,2 milhões de metros cúbicos de madeira. Toda a produção, proveniente de 71.246 hectares, tem destinações diversas, como produção de energia, papel e celulose, serraria, compensados e laminados.
‘‘Hoje a oferta de madeira é abundante porque as empresas estão derrubando as áreas de reflorestamento plantadas na época dos incentivos fiscais, o que aconteceu há 20 anos’’, informa o engenheiro florestal Eleutério Langowski, da área de desenvolvimento florestal do IAP. O problema, segundo ele, é que de lá para cá praticamente não houve mais plantio e quando estas últimas áreas de reflorestamento se esgotarem as indústrias do setor ficarão sem matéria-prima.
Para Langowski, o déficit no fornecimento de madeira dentro de 10 anos será inevitável. ‘‘Por isso o governo do Estado está agindo com mais rigor na fiscalização a partir deste ano’’, informa. Segundo ele, a lei florestal estadual determina que quem depende da atividade florestal tem que obrigatoriamente repor as áreas de matas derrubadas.
Na verdade, a lei nada mais é do que a aplicação prática do Código Florestal, que exite há 40 anos, mas que não vinha sendo cumprido. ‘‘O problema é que havia uma deficiência muito grande na fiscalização e, por isso, o Estado não tinha como saber quem estava repondo ou não’’, observa Vasco Flândoli Sobrinho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Madeira (ABPM).
Flândoli lembra que no ano passado o Paraná, se fosse cumprir a risca o Código Florestal, deveria ter plantado 17 mil hectares de florestas e, no entanto, plantou apenas 6 mil hectares.
Financiamento - Preocupados com a ameaça de um déficit de madeira para o ano 2000, a Associação dos Engenheiros Florestais do Paraná está reivindicando aos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura e ao BNDES uma linha de crédito especial para financiar os plantios florestais.
‘‘O problema é que no Brasil o produtor de milho, feijão e soja tem financiamento para plantar, mas não há financiamento para plantar árvore’’, critica José Hess, presidente da Associação. Segundo ele, devido ao chamado ‘‘Custo Brasil’’, os empresários do setor alegam que não têm como reflorestar com recursos próprios e, com isso, estão apenas retirando as florestas sem nenhuma reposição.
Segundo Hess, outra alternativa além dos financiamentos seria uma integração entre o produtor e a indústria a exemplo do que acontece nos setores de fumo e avicultura. ‘‘Em Minas Gerais, as siderúrgicas mantêm uma integração com produtores rurais para a produção de carvão vegetal’’, informa. Segundo ele, a integração garante o insumo à indústria e ao mesmo tempo dá uma opção de renda a mais para o produtor rural, incentivando o reflorestamento.

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