As contas fiscais do governo argentino voltaram a preocupar a equipe e o próprio ministro de Economia, José Luis Machinea. E, agora, passaram a ser a principal geradora de rumores no meio financeiro e no círculo de economistas e principais dirigentes do setor produtivo.
O desequilíbrio fiscal projetado para o primeiro trimestre do ano por economistas independentes já é de US$ 2,4 bilhões, cifra superior aos US$ 2,1 bilhões acertados entre a Argentina e Fundo Monetário Internacional (FMI) ao final do ano passado.
O FMI, embora não tenha se manifestado oficialmente, também está preocupado com o rumo da economia argentina. A missão técnica que vai avaliar as contas do governo deve chegar a Buenos Aires esse mês.
Para piorar, os rumores de uma eventual renúncia de Machinea se intensificaram no mercado financeiro local. No final da noite de ontem, o ministro fez lacônicas declarações afirmando que não vai deixar o cargo. Mas o mercado não tem mais dúvidas de que Machinea está com o ‘timing’ praticamente esgotado e bem no olho do furacão, porque teve, nos últimos quatro meses, todas as chances e possibilidades para fazer com que a Argentina retome o rumo do crescimento econômico.
Com esse quadro, os economistas estão revisando quase que pela terceira vez as suas estimativas de expansão para o PIB este ano. Para os escritórios de consultoria, a economia argentina dificilmente superará a faixa de 1,5% e 1,9% até dezembro. O fato é que o governo argentino terá de exibir resultados fiscais melhores nos próximos meses e torcer para que as taxas de juros nos Estados Unidos continuem caindo, se quiser melhorar as expectativas dos investidores estrangeiros em relação ao país.
O país foi assunto ontem do jornal Financial Times. Para o jornal, a economia argentina, apenas dois meses após assegurar um pacote de ajuda financeira internacional de US$ 40 bilhões, está novamente mergulhada em preocupações após uma rodada de dados econômicos desapontadores, a desvalorização da moeda turca e uma ferrenha batalha em torno do presidente do banco central.
ParaguaiA ameaça de uma recessão no Paraguai aprofundou os atritos dentro do governo acerca de um suposto empréstimo de US$ 18 milhões do Banco Central que pode fazer disparar a inflação, em meio a temores de atraso no pagamento de salários e preparativos para novas manifestações de protesto. A grave situação enfrentada pelo governo de Luis González Macchi para cumprir as obrigações financeiros do país ampliou as divergências na área econômica sobre como gerar recursos, enquanto cresce o descontentamento entre a população.
Segundo fontes governamentais, o ministério da Fazenda solicitou ao Banco Central do Paraguai (BCP) um crédito a curto prazo equivalente a US$ 18 milhões para enfrentar os compromissos mais urgentes. Porém, o presidente do BCP, Washington Aswell, respondeu que um crédito dessa natureza obrigaria o banco a fazer uma emissão sem lastro – um mecanismo contrário à política sugerida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo.
‘‘Isto desataria uma pressão inflacionária tão incontrolável quanto a ocorrida em outras épocas’’, disse Aswell. Alguns analistas disseram ontem que o desespero em que se encontra o Executivo se refletiu na reação do ministro da Fazenda, Francisco Oviedo, que qualilficou Aswell como um ‘‘tremendo irresponsável’’.
Oviedo desmentiu Aswell alegando que não havia solicitado nada ao Banco Central, muito menos que pretenda utilizar uma emissão inflacionária. O presidente González Macchi interveio na discussão de forma pouco convincente, reduzindo a ‘‘pontos de vista diferentes’’ a guerra verbal entre os membros de seu gabinete.

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