O déficit em transações correntes, indicador da dependência do país em relação ao capital estrangeiro, subiu a 4,37% do PIB (Produto Interno Bruto) nos 12 meses encerrados em setembro. É o maior percentual desde 82, quando o País entrava na crise da dívida externa.
O Banco Central atribui o crescimento do déficit à crise internacional que, entre outros efeitos, reforçou a remessa de lucros e dividendos ao exterior e provocou maior procura de dólares nas casas de câmbio. Dizer que o déficit atingiu 4,37% do PIB significa que, entre outubro de 97 e setembro de 98, o Brasil gastou US$ 34,478 bilhões acima das receitas nas principais transações com outros países.
O mau resultado de setembro fez o BC abandonar as suas expectativas relativamente otimistas para o fechamento do ano, que indicavam déficit entre 3,5% e 3,8% do PIB. ‘‘Temos de rever as estimativas. Estamos refazendo as contas e ainda não temos como afirmar como ficará o déficit no ano’’, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
De agosto para setembro, o déficit em transações correntes sofreu expressivo aumento, passando de 4,09% para 4,37% do PIB. Em outras palavras, houve um aumento de US$ 2,121 bilhões no déficit acumulado. O déficit em transações correntes é um dos principais indicadores da vulnerabilidade do País a crises externas como a atual.
Nas transações correntes, estão incluídos a balança comercial (exportações menos importações), os serviços (juros da dívida externa, remessa de lucros de multinacionais, turismo etc.) e as transferências unilaterais (dinheiro remetido ao Brasil por residentes no exterior e vice-versa, sem relação financeira ou de comércio).
O indicador mostra o grau de dependência em relação ao capital estrangeiro. Quando o país gasta acima das receitas, registra um déficit e é obrigado a tomar empréstimos ou a atrair investimentos para cobrir a diferença.
Em setembro, o que mais contribuiu para o aumento do déficit foram as remessas de lucros e dividendos, que atingiram US$ 1,89 bilhão, o maior resultado desde 1996, último dado das estatísticas divulgadas pelo BC. O crescimento foi de 412%, comparado ao mesmo mês do ano passado. Lopes disse que, por causa da crise, empresas anteciparam remessas de lucros. Em situações normais, as empresas só remetem lucros após fechar o balanço.

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