Déficit externo atinge US$ 15,6 bilhões
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
O Brasil registrou um déficit de US$ 15,6 bilhões no balanço de pagamentos de janeiro a julho deste ano. O balanço de pagamentos engloba todas as transações de comércio e serviços do País com o exterior. Ao contrário do que previa o governo, o Brasil foi obrigado a gastar US$ 2,1 bilhões das reservas internacionais para cobrir o déficit. Isso porque a entrada de dinheiro estrangeiro, no mesmo período, chegou a US$ 13,4 bilhões, recursos insuficientes para financiar a diferença.
De acordo com números divulgados ontem pelo Banco Central, em julho as contas externas continuaram a apresentar rombo. Desta vez, as transações correntes, que consideram apenas as operações de comércio e serviço, fecharam com o saldo negativo de US$ 3,2 bilhões. No acumulado do ano, são US$ 18,9 bilhões de déficit, o que corresponde a 4,21% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período de 1996 este déficit era de US$ 9,7 bilhões, ou 2,28% do PIB.
Na última terça-feira, o diretor de Política Econômica e Monetária do BC, Francisco Lopes, estimou que no ano o déficit em transações correntes ficará entre 4,5% e 5% do PIB. No acumulado de 12 meses, ou seja, entre agosto do ano passado e julho último, a diferença em transações correntes chega a 4,35%.
Veio da balança comercial, em função do aumento das importações, a maior contribuição para o agravamento do déficit. Contra o saldo negativo de US$ 646 milhões ocorrido nos primeiros sete meses de 96, a balança comercial acumulou um déficit de US$ 5, bilhões em igual período deste ano. Na conta de serviços, considerando os mesmos períodos, o Brasil ficou devedor de US$ 10,9 bilhões em 96 e de US$ 14,7 bilhões este ano.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, na velocidade em que está crescendo a tendência deste déficit não é explosiva. Merece cuidados, mas não há risco, afirmou. Ele diz que confia no crescimento dos investimentos externos.
Ainda em julho as reservas internacionais apresentaram recuperação acumulando, em termos líquidos, um total de US$ 2,7 bilhões e fechando o mês com o saldo de US$ 60,3 bilhões. Até a última terça-feira, segundo informou Lopes, as reservas já estavam em US$ 63 bilhões. Isso sempre considerando o conceito de liquidez internacional, que inclui créditos de médio e longo prazos.
Lopes ressalta ainda que há um crescimento significativo na entrada dos investimentos diretos. Ou seja, o recurso que fica em definitivo no País. Em julho foram US$ 1,4 bilhão e, no ano, US$ 8, bilhões. Para ressaltar a confiança do investidor estrangeiro no Brasil, o chefe do Depec explicou que, do total que ingressou no País, apenas US$ 2,6 bilhões são recursos da privatização. O dinheiro que entra está pulverizado, não é só por causa da privatização, afirmou.
Outro aspecto que anima a equipe econômica, segundo admitiu o chefe do Depec, é a troca de qualidade do capital que ingressa no País. Considerando os resultados do balanço de pagamentos, no primeiro semestre o total de investimentos líquidos destinados ao Brasil, aí incluídos os investimentos diretos, chegaram a US$ 12,8 bilhões contra US$ 8,7 bilhões no mesmo período do ano passado.
Enquanto isso, os capitais de curto prazo, ou seja, aqueles que podem deixar o País a qualquer momento, atingiram US$ 2 bilhões entre janeiro e junho de 96 mas apresentaram saldo negativo de US$ 3,7 bilhões de janeiro a junho deste ano. Isso significa que o volume destes recursos que deixou o Brasil foi superior aos total de ingressos.


